Que medo de ficar doente! De sofrer! De morrer!
Parece haver uma ameaça constante e importante rondando permanentemente.
Uma vontade de localizar o sofrimento que é difuso, abstrato e que
ninguém mais vê.
É comum dizer: “Antes ter uma doença física do que uma emocional”.
Há ainda muita desinformação e preconceito sobre todo o tipo de
mal-estar que as pessoas banalizam e chamam de frescura.
E a pessoa fica mais desassistida ainda.
Precisará lutar contra o que lhe está afetando e contra o desinteresse
alheio.
Isto lhe causa ainda mais dor.
Experimenta medo pela fragilidade que sente e angústia e ansiedade pelo
quadro que se desenrola.
Fica superpreocupada com o mal que lhe está acometendo e decepcionada
com todos.
É tudo invisível, imperceptível. Nada “quantificável” ou sério para quem
está de fora.
Além disso, todos têm suas próprias preocupações.
Quando ouvem suas queixas, lhe fazem recomendações racionais e objetivas
para um sofrimento que nada tem de racional e objetivo.
É inconsciente.
Reflexo de um sofrimento mais profundo que lhe transtorna e angustia a
ponto de lhe parecer concreto e real.
Além disso, há a busca ansiosa e incessante por uma forma prática e
direta que lhe solucione o problema: um remédio, uma saída!
E vem o banho de água fria. Indicação: psicoterapia.
Como parar para discorrer sobre o que mais lhe angustia mesmo sem se ter
esta noção: a própria vida.
Além disso, há muita urgência.
Entretanto, é preciso dizer mais uma vez: temos que parar e rever nossa
vida.
Mergulhar nela.
Rever conceitos, prioridades, crenças ....
Os outros não enxergam o que nos causa dor.
Nem mesmo nós o sabemos.
E cada um está ligado no seu próprio caminho.
Por isso, poucas vezes poderá ser sensível a nós.
Teremos, inclusive, que lidar com a natureza solitária deste caminho de
crescimento e cura.
Aprender a olhar para as nossas coisas, lidar com elas....
Trabalhá-las.
As coisas não melhoram sozinhas.
Elas nos solicitam cuidados.
Mas como, se estamos convencidos de que é prático fazer tudo no esquema
fast-food ?
Se o tempo é curto e as nossas responsabilidades nos assolam ?
Vemo-nos justificados em nossa pressa e estresse.
..... Mas isto tudo também nos deteriora, arruína.
Temos que ter “olhos para ver” ou seremos levados por ilusão a optar
pelo que a massa prega até para não ficarmos de fora.