É incrível como sentimos saudades de nossas coisas.
Quando viajamos gostamos da sensação de liberdade, de sair da rotina.
Mas como é interessante perceber que, à medida que o tempo passa, vamos
sentindo falta das coisas que deixamos.
Dizem que nos acostumamos até com as coisas ruins!
Parece mesmo que não sabemos muito bem viver no anonimato, sem sermos
importantes para alguém.
“Antes mal acompanhado do que só”, não é?
É verdade que precisamos nos relacionar uns com os outros, mas às vezes
o fazemos por não sabermos viver de maneira mais solitária.
Os outros parecem nos distrair, nos fazem sentir úteis...
Criamos várias necessidades e vivemos em função delas.
Cansamos...
Como é difícil desacelerarmos, nos acostumarmos a brigar, pedir ajuda,
tentar, modificar as coisas...
Ser alguém especial nos é tão atraente...
Queremos ficar famosos, ser reconhecidos e depois,... bem, depois
brigamos por nossa privacidade.
É difícil vivermos em paz!
Se estamos sem tantos afazeres, procuramos por eles. O tédio é um
horror.
...E logo nos sentimos sobrecarregados, presos.
Fazer, apenas fazer, não nos satisfaz.
Queremos as honras, ser notados.
Não vemos o fazer nada como importante.
Dá sensação de perda de tempo, de improdutividade.
Vêm as cobranças, as inquietações,
...o medo de ser esquecido!
Quanto mais se têm compromissos, mais se tem que viver para eles.
Vaidade? Orgulho? Eu, eu, eu?
“Se você quer ser um profissional, seja o melhor deles! Destaque-se!”
Tanta expectativa se cria...
E logo vem a frustração ou o arsenal de coisas que se desenvolve par
tentar dar conta do recado.
E quanto mais nos intrometemos, mais nos atrelamos Queremos ser livres,
mas o que fazemos é nos enrolar cada vez mais.
Sentimos falta de ser alguém para alguém.
Não sabemos mesmo viver.
Criamos coisas onde não existem.
Quando chegamos a conhecer uma realidade, já estamos preparados para ir
mais além.
Mas temos que nos desapegar...
Se não buscarmos esta liberdade de ser e de agir, não avançaremos neste
sentido.
Ficaremos com medo de perder as pessoas, por divergirmos delas.
Não perdemos nada! NUNCA!
Mas teremos que ter este entendimento e seguir em frente.
O medo desaparecerá.
Não precisaremos voltar para casa, mas estaremos em casa em qualquer
lugar.
O ideal é não voltar, se bem que às vezes ainda se faz preciso.
O importante é sabermos que podemos ir, DEVEMOS IR, . . .
Sem medos.
É como a estória da Águia e da Galinha.
A águia foi criada junto com as galinhas e aprendeu a ser uma delas.
Um dia um homem passou por um galinheiro e indignado em ver uma águia
sendo criada como galinha, tentou levá-la a uma colina para que ela
voasse.
Isto não deu certo.
Nem vendo outras águias voando. Estava muito acostumada a ser uma
galinha.
Levou um tempo para que ela vencesse seus medos e a confusão que se
criou.
Em algum momento, entretanto, a sua própria natureza de águia falou mais
alto e ela ousou os vôos que precisava dar.
Assim somos nós.
Vivemos como galinhas até que as situações nos levem a perceber que
podemos ...VOAR !
Todas as religiões e seitas falam, a seu modo, da entrega.
Entrega significa superar-se, ir além de si mesmo, “morrer” para seus
desejos.
Não tem nada a ver com repressão, mas uma nova percepção, um novo modo
despertar para a vida.
Só assim seremos capazes de voar, desprendermo-nos ... irmos, de fato,
sem a intenção premeditada, apenas porque se tornou possível para nós.
Leveza, paz, unidade.
“Já não sou eu quem vivo, mas Cristo que vive em mim.”
Deixar-se ir.
Libertar-se !