Não se chega à paz com guerras, exigências e inconformidade.
Não se trata tampouco, de sermos tolos e submissos.
Este caminho é cheio de sutilezas que só a prática trará o entendimento.
É fundamental se confirmar a cada momento a decisão pela paz.
Todos nós erramos e não viemos ao mundo para atender às expectativas de
ninguém.
Por isso teremos muito a compreender e a perdoar.
Isto exigirá tolerância, compreensão e um coração humilde que queira
perdoar e amar.
Por que sermos tão implacáveis?
Precisamos compreender melhor e ACEITAR a nossa natureza humana.
Isto não quer dizer que valha qualquer coisa.
Se conseguirmos percorrer este caminho, vasculhando nossa alma e
buscando não o orgulho de sermos capazes, mas o desprendimento do
peregrino, certamente nos tornaremos outros.
Seremos mais humanos e verdadeiros...simples.
Mas não basta entender racionalmente alguma coisa.
Quando entramos em uma situação ou esbarramos com alguém em nossas
vidas, o melhor a fazer é lidar, não evitar.
Temos algo a superar... sempre.
Quando algo se apresenta, geralmente é aquilo que precisávamos para
avançar em entendimento e experiência.
Não existe caminho fácil, nem receitas práticas.
É preciso uma prática constante na direção em que se escolheu, a
despeito das
dificuldades.
E precisaremos confirmar periodicamente esta opção.
Carimbar nosso passaporte de peregrinos.
Ninguém é responsável pelo rumo que damos à nossa vida, nós o somos.
Olhemos menos criticamente para os outros e mais responsavelmente para o
nosso próprio destino.
Ninguém nos tira do rumo sem que tenhamos concordado com isto.
Nenhum mal dura para sempre.
E quando tudo passar, restará o estado de espírito que tivermos
alcançado.
Tudo isso será resultado, inclusive, dos problemas que tivermos
enfrentado.
Há muito trabalho a ser feito internamente.
As brigas do lado de fora refletem as de dentro: as inquietações,
insatisfações e solicitações.
Em paz, tudo isso cessa!
Mas ela não acontece do nada.
Temos que buscar este caminho.
Aquietar nossos fantasmas, nossos algozes.
Para isso é necessário refletirmos muito mais sobre nós mesmos,sobre a
vida.
Desarmarmos o espírito, a mente, caso contrário, morreremos brigando com
os outros, reclamando de tudo.
Não teremos percebido que tudo nasceu e foi cultivado dentro de nós.
A paz não depende das circunstâncias externas, ao contrário, ela se dará
a partir da reação pacífica e desapegada que pudermos ter em resposta a
cada situação cotidiana. O mundo pacífico não é um lugar específico, mas
um estado interno.
A paz é onde se quer chegar, mas como, se a nossa noção de paz é tão
distorcida?!
Vemos a paz como um produto a mais a ser adquirido, não como um
despojamento, uma entrega.
Onde se compra a paz?!
Teremos que chegar até ela. Sintonizarmos.
Entendermos sua linguagem.
A paz não se exige, pratica-se.