"Conhecereis a verdade, e a Verdade vos libertará..."

                                                                           por Jorge Tannure Penedo  Indique esse texto a um amigo...

 

Era uma criança nos seus 2 anos de idade, e começava a se entender como um indivíduo separado.

Até então, tudo muito confuso, pois há pouco tempo atrás tinha habitado o mesmo corpo de sua mãe. No entanto, ao completar nove meses, teve que deixar aquele confortável mundo onde tudo era garantido para se aventurar em algo completamente diferente.

A chamada vida começava, mas não tinha a menor idéia do que era isso.

Sentiu-se de certa forma, expulsa de seu ninho original, e ao se deparar com aquela claridade sua primeira reação foi um choro... forte.

O choro era sua primeira e única ferramenta. Forma de expressão que chamava atenção do mundo. Sua outra parte sempre se achegava no choro. Sim, ainda entendia aquela mãe como sua outra parte.

A medida que o tempo passava sentia um desconfortante distanciamento daquele ser cheio de Amor, e começava a se sentir separado. Separação que começara naquele fatídico dia da “expulsão do útero”, e que , embora ainda não soubesse, se prolongaria até o fim de seus dias.

Assim, uma certa “consciência” ia crecendo naquele mente virgem, despertada pelos móbiles de seu berço, e de outras atividades que a chamavam para a interatividade. Eram cores, sons, texturas, experimentadas em intervalos intercalados pela desconfortante fome daquele seio, que sempre aparecia após um breve período de choro.

Aos 3 anos, foi levada a um local cheio de outras crianças, e perdeu a mãe de vista. Apenas mais um capítulo da novela da separação.... e tome choro.

Ao final do dia, voltava para o aconchego do lar. Estranhamente, nem sempre percebia em seu pai e mãe, a mesma receptividade. Eram instáveis. Algumas vezes, ternos e cheios de amor, pacientes. Outras, impacientes até mesmo nervosos. Não entendia direito, mas nos piores momentos quase sentia neles um arrependimento por trazê-la ao  mundo.

“Deve ser culpa minha”, inferia. “Não devo ser boa o bastante, ou eles estariam felizes o tempo inteiro”. Conclusão muito natural, afinal na sua limitada compreensão do mundo, se via como o eixo segundo o qual tudo se relacionava.

Neste período, uma trágica quebra ocorrera. Uma divisão que a iria deixar com um sentimento de falta ainda maior que a da separação física da mãe.

A incerteza de ser amada!  Oh, realidade cruel da humanidade que não tem certeza de ser digna de amor e que atua como pano de fundo para todas as tragédias, dramas e infortúnios.

Eis que da criança original, duas personalidades despontam. A primeira, ou original, é como que trancada dentro do armário, e surge uma outra como que dizendo a original “Você não é boa o suficiente pois não sabe atuar neste palco. Eles não são capazes de te amar se você não fizer por merecer. Deixa comigo que eu sei o que eles querem. Você precisa impressioná-los para arrancar dele aplausos e reconhecimento, e isso fará com que se sinta amada”.

No armário, são trancafiadas a verdade e o plano original de Deus para aquela criança. E a que vai em busca do mundo, é a versão já poluída pelos homens.

Eis que a distorção do amor faz mais uma vítima em tenra idade. Já não é mais o suficiente existir segundo o plano de Deus. Torna-se necessário ser aplaudido pelos homens.

Haverá tragédia maior que a morte do Amor gratuito ? Cárcere maior do que a necessidade de produzir resultados ? Há espaço para a felicidade em uma sociedade de cobranças no sentido de se fartar vaidades e orgulhos ?

Como todo escravo, é incapaz de se desvencilhar dos grilhões. É esse o sistema, ou entro nele e venço, ou serei esmagado.

E começa o trágico Arrisque e ganhe:

Começa com gracejos para os familiares, mostrando ao pai que já sabe fazer isso e aquilo, que é melhor que o coleguinha naquilo.

Em seguida, a aceitação em um grupo, ou como chamam : uma tribo. A personalidade já não guarda a originalidade, mas sim uma adequação de visual, comportamento, valores e gostos. Já se olha no espelho e pergunta: Quem sou eu ?

Dependendo da tribo esolhida, os critérios de reconhecimento variarão. Se adotar a tribo dos comportados, a nota na prova será determinante, e a atenção dos pais  virá como o bom menino. No outro extremo, adotando a tribo dos rebeldes, será justamente o impacto criado pela irresponsabilidade que se traduzirá em valor. Será problema para a familia ? Sim, mas terei a atenção e reconhecimento que me interessam.
 

Queridos, olhemos em perspectiva.

A necessidade de resultados impõe o emprego de todas as minhas energias e habilidades para brilhar. Há espaço para a doação de esforço em direção ao outro nesse contexto ? Eu tenho sobrado o suficiente para ser melhor para o mundo e não apenas para si mesmo ?

Tenha certeza que o amor mercenário que cobra resultados para aplaudir cria uma dinâmica egoísta em uma sociedade que só privilegiará a egóica busca do “mais para mim mesmo”

Eis a verdade: O inimigo. A pérfida dinâmica a que estamos todos escravizados, como cães tentando morder o rabo...

Não sei se sou digno à Preciso ser amado à Preciso merecer à Tenho que ser melhor que o outro

Só mudam os critérios de comparação, a “moeda” que pagará pelo amor mercenário e que precisa ser acumulada: Para alguns, dinheiro, para outros beleza, sensualidade, sexo, intelectualidade, reconhecimento profissional, fama.

A triste regra do acúmulo é:  Se acumulo para mim sempre mais, vai ter que faltar para alguém, ou pior, para muitos.

Isso explica tudo, desde o assassinato de Abel por Caim, passando pelas guerras medievais, pelos regimes totalitários, pelo holocausto, por todos os conflitos modernos,  a desigualdade social, a fome na África, o aquecimento global, e até essa infelicidade permanente do modelo de sucesso consumista.

Mas eis que surge a esperança. Eis que o Amor verdadeiro chega para destronar esse impostor mercenário, que de forma sorrateira, ocupou seu lugar.

Achamos que o mundo está ruim ? Queremos salvá-lo ? Aprendamos a amar de verdade.

Reconheçamos que somos incompetentes no amor, que o vestimos com as vestes sujas da troca mercenária do “Eu te amo, se.....”

Troquemos a conjunção condicional do amor para “Eu te amo, apesar de....”

Impossível ? Talvez, para nós humanos sim. Afinal, achamos que temos um estoque limitado de amor que só podemos liberar gotas para aqueles que fazem merecer. Natural, afinal, nos desconectamos da fonte, e a água parada que armazenamos apodreceu.

Somos canais de amor e não repositórios. Ao me religar a fonte Original e infinita, deixo de ser “ralo” e passo a ser “condutor”. Mas para isso, preciso reconhecer que não sou fonte e que não preciso ser um “ralo”.

Ao aceitar o Amor Daquele que primeiro me amou, e condicionar o meu valor ao fato de ser amado por Ele e não pelos homens, rompo os grilhões do merecimento e estabeleço as fundações de uma vida nova.

Já não mendigo mais os aplausos, honras e vaidades do mundo. Antes disso,  Deus vive em mim, e me inunda com dua transbordante fonte de Água-Viva.

Foi dito:  “Conhecereis a Verdade, e a Verdade os libertará”

Apenas algumas perguntas finais, pois a boa leitura é aquela que induz a reflexão:

 O que te faz fechado ao Amor verdadeiro ?

Onde está o teu coração preso ?

A quem queres impressionar ?

Vale a pena sacrificar sua liberdade por isso ?

Liberte-se. Nunca foi entre você e eles, mas entre você e Deus.

 

 

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