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Os Caminhos de Deus são inesperados |
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Era setembro de 2006... Fui surpreendida por um telefonema em uma noite de Sábado. Uma amiga com quem eu já não jogava tênis há 20 anos me disse que uma família amiga nossa estava passando por um grande sofrimento originado pela queda do avião da Gol. Ela, na verdade, falou de passagem sobre o caso e disse que o marido de sua amiga estava no vôo. Então ela me ligou com o propósito de me pedir para que eu fosse a casa deles fazer uma oração no dia seguinte, pois achava que daria bastante força à família. Em um primeiro momento me surpreendi com o pedido... Mas logo a seguir senti que deveria ir até lá imediatamente para orar por eles. A sensação foi muito clara e concreta. Eu estava sendo convocada. Segui para lá imediatamente, sem pensar, mas me colocando nas mãos de Deus para que Ele me usasse conforme Sua vontade. Posteriormente eu perguntei mais detalhes a esta amiga que me telefonou, pois queria entender como ela havia pensado em mim, já que ela só me conhecia do tênis... Nós não nos víamos há quase 20 anos, além do fato desta família não passar nem perto das quadras de tênis... Acrescentei também que eu não imaginava que ela soubesse que eu os conhecesse das missas de domingo. E ela respondeu totalmente surpreendida: “Não, eu nem sabia que vocês se conheciam, nem sequer de vista. Mas, inexplicavelmente, quando eu soube da notícia corri atrás de conseguir o seu telefone com os antigos amigos”. Há dois ou três meses atrás ela e o filho me encontraram num restaurante e eu estava de muletas. Nesta ocasião testemunhei o que havia se passado comigo e, apesar dela não parecer se interessar por grupos de oração, eu a convidei para conhecer o grupo. Ela me disse que falaria com o filho, por ele gostar muito destas coisas... Acrescentou: “Sempre faz bem, não é?”. Chegando à casa da família, a viúva me recebeu com satisfação. Era como se a atitude dela me mostrasse que tudo estava acontecendo para confirmar o chamado que eu havia recebido. Havia umas 18 pessoas por lá. Logo aquela amiga em comum foi arrumando as cadeiras em círculo e lá estava um espaço para a oração... Eu não acreditava no que estava acontecendo com tanta naturalidade... Foi a primeira vez que fui chamada para orar. Olhei para as pessoas e todas estavam chorando muito, perdidas e cada uma parecia ter um credo diferente... Mas a viúva e seus três filhos eram meus amigos das missas de domingo. Eles gostavam muito de mim e me agradeciam pela forma como eu ministrava a música... Eles falavam que eu facilitava o clima de oração. Eu os havia chamado para o grupo nas duas últimas semanas... E ele me disse: “Soninha, não dá para nós, não: somos muito discretos pra estas coisas...” E lá estava eu na casa deles à convite do próprio Senhor, já que aquela amiga não sabia de nada, apenas foi movida pelo Espírito Santo a me ligar. Olhei para a viúva e perguntei a ela se havia na casa alguma imagem de Maria. Ela imediatamente me trouxe a capelinha de Nossa Senhora, um crucifixo e uma vela. A oração aconteceu... Nenhuma música me veio... Foi totalmente inesperado para mim. Logo eu, sem inspiração alguma de música... Coisas de Deus: Não é o que queremos, mas o que Deus quer. Ao final senti que tudo foi importante para cada um de nós. Não dormi naquela noite... Fiquei como se estivesse cantando para eles todas as músicas que na hora não apareceram. Na missa, no dia seguinte, eu estava um caco! Parecia que eu ia desmaiar. Pedi ao Senhor para me restaurar. E o Senhor o fez, como Bom Pastor que Ele é.
Saí dali e passei na casa da família que estava passando por aquela tragédia. Eles estavam saindo para votar e ela me disse: “Você trouxe muita paz pra nós, Sonia. Eu estou bem mais forte... Dormi até hoje de manhã”, disse-me a viúva. Percebi que a minha mãe, que naquele momento estava comigo, ficou modificada. Ela estava arrasada e sem saber como se comportar (ela os conhecia e não acreditava que aquilo estivesse acontecendo), mas através da firmeza que a viúva demonstrou minha mãe ficou profundamente tocada. A viúva e o saudoso marido eram um o melhor amigo do outro. Muito simpáticos, amorosos... Simples. Fomos embora e eu tentei conseguir o telefone daquela amiga para ficar sabendo notícias. Foi quando ela mesma me ligou e disse: “Fantástica a oração ontem!” e daí pra frente ela ficou falando, do modo dela que “estas coisas” nesta hora são muito importantes... Como Deus se serve de quem Ele quer, não é, inclusive de mim... E ela me pediu duas coisas: “Tu podes ir lá agora de novo, eu já falei com ela e ela gostaria. E pediu que eu cuidasse do “ritual de passagem” do marido”. Ou seja, esta amiga, que nem acredita, ou acredita do jeito dela, tinha certeza que era a mim que ela deveria pedir as coisas (Deus assim a conduziu a fazer). Liguei para a mim mãe e desta vez ela topou ir comigo. Chegando lá o clima estava bem menos denso a amiga ficou sabendo pela viúva que eu era da mesma missa que eles e que eu cantava e tocava. “Violão, não é?” Não, teclado. Lá estavam outras tantas pessoas, muitas do meu passado de tenista. Comecei a oração e desta vez cantei muuuito... Enfim... Quando eu estava saindo esta amiga me pegou e disse: “Não esquece de ver o padre... Mas também se não conseguir... Tu podes até... Com a música... Bem, pensa nisso.”. Foi tudo isso que aconteceu. Esta amiga foi o instrumento que Deus usou para ser a Marta desta situação. Através da amizade, da solidariedade, da eficiência em gerenciar situações difíceis, ela uniu esforços de diferentes pessoas para que tudo alcançasse a maior paz possível. Deus se fez presente através da disponibilidade total dela. E assim Deus proveu cada etapa destes dramáticos momentos com a Sua presença e com a Sua Palavra, do início ao fim. Até a missa foi cuidadosamente preparada (de uma hora pra outra), já que de um momento para outro tivemos a notícia de que o corpo do nosso amigo acabara de ser encontrado. E Deus colocou também o Padre certo para celebrar aquela Eucaristia para cerca de 250 pessoas. Deus seja louvado! Saibam que cada pedacinho deste ocorrido foi muito importante para perceber como Deus está inegavelmente conosco (Emanuel). Ele age em nós, para nós, através de nós e tudo ao mesmo tempo, tudo dinamicamente. É para todos ao mesmo tempo. Todos estão envolvidos... Todos são parte do Plano de Amor de Deus para as nossas vidas. Basta que os nossos corações se abram para Ele. Se nos disponibilizamos para Deus Ele age em nós. E Ele escolhe QUEM Ele quer... E escolhe os mais simples e muitas vezes os mais fracos para confundir a lógica humana e para que percebamos que não será por mérito nosso, mas será de tal forma que o Seu plano de Amor aconteça no meio de nós. É uma maravilha... Uma BENÇÃO presenciar tão claramente Deus agindo no meio de nós. Que Deus nos abençoe e nos conduza a fazer SEMPRE a Sua vontade. Amém.
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