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Esse
texto é a partilha de um despertar, que originou uma caminhada
iniciada em fevereiro de 2005 e teve entre seus dias mais felizes uma
certa terça-feira a que dedico a parte final desse texto e que tenho
especial alegria em partilhar.
Essa
caminhada trata da busca de um propósito de vida mais significativo, a
vivência livre de tantos medos, inseguranças e conflitos. Um aumento
da consciência, valorização das coisas que são verdadeiras e renúncia
de falsas ilusões.
Embora corra o
risco de fazer desse testemunho um pouco longo, decidi fazer uma
introdução sobre minha história para que se fique claro o contexto no
qual essa experiência se deu. Espero assim oferecer uma maior clareza
na dimensão da experiência, para aqueles que se aventurarem nessa
leitura. |
Fui batizado, crismado, fiz a primeira comunhão , frequentei a escola
primária, aprendi a me dedicar aos estudos que meus pais puderam me
proporcionar. Ia a missa com minha mãe, regularmente durante um certo
período, mas não me sentia especialmente à vontade na celebração. As
palavras eram distantes, meu coração não estava ali, embora gostasse do
ambiente e das imagens que me traziam uma certa sensação de conforto e
paz.
Quando atingi a adolescência, seduzido pelas diversas possibilidades e
experiências com que o mundo acenava a minha volta, socialmente e
culturalmente, comecei a explorá-lo. Assim como o filho pródigo, fui em
busca do mundo.
Essa
busca sempre foi marcada por uma sensação de incapacidade de lidar com
todas aquelas possibilidades, que se ofereciam para mim. Parecia que eu
não era capaz de “dar conta do recado”, era como um pequeno animal que se
afastava pouco da "toca", explorava um pouco, mas logo sentia necessidade
de voltar.
A vontade de viver era grande, mas o medo esmagador. Tinha uma especial
dificuldade de lidar com perdas, afastamentos, o conceito da morte,
sobretudo morte dos meus entes mais queridos.
A forma com que respondi a isso foi busca de segurança, controle. Meu
relacionamento com minha família (pai, mãe e irmãos) sempre foi muito
intensa. Isso se estendia a minha ligação com minha cidade, Cachoeiro de
Itapemirim, núcleo da minha família, e com as lembranças da minha infância
querida.
Entretanto, alguma força parecia sempre me empurrar para fora deste
núcleo. Aos 16 anos, “tive” que deixar essa zona de conforto para cursar a
faculdade. Na época, não haviam muitas alternativas de cursos superiores
em minha cidade. “É um desperdício esse menino ficar numa cidade tão
pequena” diziam. Eu acreditei nisso, mas o que eu queria de verdade, era
ficar.
Cursei a universidade durante 5 anos. Graduei-me em engenharia com bom
desempenho embora limitado na minha capacidade de concentração em função
da mente assaltada pela saudade. Era como ter me alistado na legião
estrangeira. Sempre à espera era sempre do próximo feriado, do próximo
recesso de férias e da minha formatura para poder “voltar”. Ao me formar,
ansiava voltar ao núcleo da minha família, minha cidade, “voltar para
casa”, porém nenhuma remota possibilidade se desenhava.
Ao contrário, no meu trabalho, confirmava-se a necessidade de estar no Rio
de Janeiro e com frequentes viagens internacionais. Que só faziam com que
eu me sentisse mais distante.
O que eu não sabia era que esse sentimento de distanciamento era causado
por um afastamento não do meu núcleo familiar, mas um distanciamento
causado por mim em relação a Deus.
Apenas a aceitação de que a
minha segurança estava em Deus e não nos meus vínculos com família e
cidade natal seria capaz de por fim a essa sensação de ter sido exilado.
Assim, qualquer lugar seria meu lugar.
Mas eu não sabia de nada disso e nem queria perceber. Assim, os sintomas
foram aparecendo e me impuseram um viver limitado e fechado, longe da
plenitude que o meu íntimo desejava:
ansiedade generalizada, insegurança, variações de humor, impaciência,
vaidades e busca de resultados como forma de compensação, necessidade de
controle, vitimização.
A essa altura eu já tinha me aperfeiçoado na arte de ser eficiente para
produzir resultados, através da minha mente racional. Tinha me tornado um
profissional competente, responsável, respeitável, formado uma família.
Mas o vazio, a sensação oca de significado, a falta de sentido, a
insustentável percepção de que tudo parecia estar escapando ao meu
controle, e o cansaço de ter de estar atento o tempo inteiro me esmagavam.
Apesar de já ter as “condições materiais básicas para felicidade” que
tanto faltam a maioria dos brasileiros, isso não bastava. Pior, me sentia
culpado por tê-las e não estar pleno e ao mesmo tempo um pavor de
perdê-las.
Me sentia refém de um modelo de vida, que me escravizava e que me fazia
correr permanentemente. A melhor metáfora que encontro para isso é a da
cenoura na ponta de uma vara, que nos faz correr sobre uma esteira.
A luz me veio sobre a forma de um programa de tv da Rede Vida, onde vi a
entrevista da Sonia (disponível nesse site através do link
http://www.psicologiaefe.com.br/NoticiasEventos.html#redevida
). Ao vê-la falando coisas maravilhosas que encontraram eco e ressonância
em meu coração, percebi que era aquele terreno que eu PRECISAVA explorar.
Já era um chamado. Fui ao telefone, marquei uma hora. Não sabia se seria
um tratamento ou não. Apenas queria mais daquelas palavras que ouvi
durante alguns minutos.
Em consultório, durante terapia psicológica, pude de novo colocar toda a
minha habilidade mental em prol de um objetivo: juntar as peças do
quebra-cabeça da minha história e buscar , através da razão e da
interconexão de idéias, as sabotagens psicológicas que a minha mente
provocava e que desaguavam em medos, e outros comportamentos emocionais
lesivos, fazendo sofrer a mim mesmo e aos outros.
Hábil em usar a mente, estimulado pela competência profissional da Sonia e
movido pela coragem (hoje acho que sei de onde ela veio) de encarar todos
os meus defeitos, dificuldades sem armas, pude evoluir muito em
auto-conhecimento.
Foi assim, que, um ano e meio depois, recebi “alta” da psicologia. Segundo
a Sonia, eu já tinha instrumentos suficientes para me reconhecer
psicologicamente, enxergar meus comportamentos disfuncionais, entender
porque eles aconteciam, desarmando assim o ciclo sabotador do meu
comportamento.
Sim, de fato, minha qualidade de vida melhorou significativamente. Com
todos ao meu redor.
A consciência de que meu ego é um inimigo que mora dentro de mim, que
minha visão do mundo e dos outros é moldada por minha história, que minha
forma de amar é muitas vezes distorcida por apegos, embates inúteis, e a
disposição em me tornar uma pessoa melhor para quem vive ao meu redor fez
com que eu abandonasse muitos dos comportamentos instáveis e agressivos.
Porém, isso representava apenas o início do caminho. Eu e Sonia, através
da psicologia, tínhamos apenas explorado um terreno escuro, lançado uma
luz e "varrido a poeira do sótão". Tínhamos jogado muita coisa inútil,
velha e empoeirada fora.
Mas agora a casa estava vazia. Era
preciso enchê-la com outra coisa. E já sabíamos do que era....
As analogias das mazelas psicológicas com a proposta de libertação de
Jesus Cristo eram lições maravilhosas que se desenhavam a cada encontro
meu com a Sonia, através da poderosa abordagem da Psicologia somada a Fé,
cujos princípios vocês podem conferir explorando os textos desse site .
“Vinde a mim, e eu vos aliviarei”
“Quem quiser a sua vida, perdê-la-á. E quem perdê-la por amor a mim, a
achará”, “Busqueis e achareis”
“Quem beber dessa água não terás mais sede”
“Buscai primeiro o reino de Deus”
“Ninguem pode servir a dois senhores”
“De que adianta o homem ganhar o mundo e perder sua alma ?”
São apenas algumas das passagens que mostram que se quisermos nos livrar
do viver limitado, inseguro, ilusório e irmos em busca de uma vida mais
significativa precisamos nascer de novo.
Ao invés de alimentar permanentemente nossa fogueira interior de orgulho,
vaidades e egoísmo, abandonar os valores do mundo e entregar nossa vida em
serviço de Deus, unindo-se a proposta de humildade de Jesus Cristo.
A essa altura, eu já acreditava que era impossível ter uma vida plena e
feliz se de fato não mudasse os meus valores, objetivos e proposta de
vida.
Racionalmente, já havia entendido que o modelo de sucesso humano , que a
sociedade impõe, faz com que nosso coração se torne refém. Que apenas
Deus nos ama e nos deixa livre.
Passei a colaborar com a Psicologia e Fé através da edição desse site. Até
escrevi textos sobre isso aqui .
Entretanto, estranhamente não era possível para mim SENTIR MEU CORAÇÃO
ARREBATADO POR ISSO.
Deus não vai nos livrar de todo o sofrimento, mas sua promessa é a de que
se nos voltarmos para ele, e entregarmo-nos ele nos consolará.
Fato é que apesar de já acreditarmos racionalmente na salvação, não
significa que nosso coração já tenha aceitado isso e que a Fé tenha se
instalado.
“Não se chega a Deus pela inteligência, mas sim pela Fé”
Os
medos continuavam, a necessidade de ter o controle continuava imperativa e
eu me sentia como se soubesse a teoria, mas não conseguisse viver o que eu
já entendera.
Assim, perdi durante um período o ímpeto de escrever. Não podia mais
escrever coisas que não sairiam do papel. Me sentia um impostor. Um pai
que dá orientações ao filho, mas ao fazer, faz de forma diferente.
NÃO CONSEGUIA ENTREGAR. ATË QUERIA POIS ESTAVA CANSADO, MAS NÃO ERA
CAPAZ.
Confessei a Lucia, colega de grupo, que já entendia a necessidade da
Entrega, da confiança e da renúncia ao controle, e abertura do coração
para Jesus, mas essa certeza era algo que continuava encerrado na minha
mente e que meu coração parecia não ter acesso.
Ela disse: “Você tem que permitir que Jesus entre e "quebre" você. Ore por
isso”
E percebi então a ferramenta que eu ainda não tinha utilizado, pois era
diferente de tudo o que me era familiar: A ORAÇÃO
Após uma semana de angústia, onde fui visitado pelos mesmos problemas de
sempre, os mesmos medos de sempre, as mesmas angústias de sempre, pus-me a
orar para que Ele invadisse meu coração, tomasse conta e me desse coragem
para a ENTREGA.
Sonia me ligou naquela terça-feira logo de manhã.... Temos nosso encontro
do Grupo Partilha de Dons as terças-feiras, de 14:30 até as 17:30. (
http://www.psicologiaefe.com.br/NoticiasEventos.html
)
Perguntou porque eu havia “sumido”. Eu disse que tinha “saído do ar” por
causa dos mesmos problemas de sempre. Havia me fechado, e estava muito
angustiado. Ela então disse: "Não falte hoje ao grupo. Me foi revelado que
hoje é um dia especial". Entendi isso como um sinal e uma resposta aos
meus clamores da semana que passara e a certeza de que eu deveria ir me
invadiu.
Fui ao encontro chegando mais cedo do que o usual e participei, pela
primeira vez, da cerimônia da adoração. Nunca tinha visto o ostensório tão
de perto.
Já era diferente de tudo que havia experimentado até então. Comecei a
sentir meu coração abrindo, e pus-me a orar e adorar enquanto cantávamos
músicas de adoração.
Desejei,
mais do que nunca, RENUNCIAR A MIM MESMO E UNIR ME A JESUS CRISTO ,
ABANDONANDO A MINHA VONTADE E UNINDO-ME A VONTADE DELE E DO PAI.
Me veio
uma oração que fiz em voz alta, clamando pela benção da ENTREGA, pedindo
misericórdia e que Ele me desse forças e coragem para abrir meu coração e
uni-lo a Sua vontade.
Após concluir a oração, sentei-me. Apenas aquela manifestação de desejo de
entrega já parecia aliviar-me os ombros de uma grande carga. Lágrimas
começaram a cair em emoção.
A essa altura, o Marcos, um dos membros de nosso grupo, de conhecimento e
experiência mais avançados, sentiu no coração um chamado: de que as
pessoas que se sentissem capazes, subissem ao altar para impusesse as mãos
por aqueles que queriam entregar, que queriam dar o “salto no escuro” e
não tinham coragem.
Levantei a mão, não para orar, mas para ter as mãos impostas sobre mim.
Várias pessoas fizeram o mesmo. E o que se seguiu foi algo indescritível
em palavras.
Fui tomado por uma vontade de entregar, de deitar , de dormir. Minha perna
tremia e eu suava em um sentimento de intensidade indescritível. Não me
senti a vontade para deitar, nem sabia se seria adequado. Uma das pessoas
deitou no altar. Outras choraram. Outras louvavam em voz alta, entregando
se ao máximo que podiam.
A mente já não era senhora, e o coração aberto e a imersão no Amor de
Cristo imperavam.
Depois fui informado que se tratava de um “batismo no Espírito”. O momento
através do qual, por uma fresta aberta por nós e nosso coração através do
nosso “SIM”, o Espírito se manifesta nos dando a certeza absoluta do Amor
de Deus.
Não sei o que virá agora... Sinto me como tivesse chegado a um lugar
deslumbrante e tivesse o primeiro impacto da paisagem... Tenho um certo
apego com o que aconteceu naquela terça-feira, como se quisesse reter em
minha mente o cartão postal daquela linda paisagem.
Tenho certeza que tem muito mais por vir. Sei que só virá se eu continuar
fiel na Entrega, na desistência de mim mesmo e na minha total Entrega a
Sua vontade, vivendo UNO em Cristo e me colocando os dons que Ele me
confiou a SEU SERVIÇO.
Não posso nem confiar em mim mesmo nem para isso. Por isso, a partir de
agora, orarei para que Ele me fortaleça e impeça que eu me afaste desse
propósito.
A vida adquire assim o sentido que sempre desconfiei que tinha, mas que
não podia enxergar pois estava cego ao Amor de Cristo por causa da poeira
levantada pelas coisas do mundo.
Graças a Deus por essa Luz.
Paz a todos
Jorge Tannure Penedo