O Dia em que meu coração se abriu  por Jorge Tannure Penedo    Indique esse texto a um amigo...

 

Esse texto é a partilha de um despertar, que originou uma caminhada iniciada em fevereiro de 2005 e teve entre seus dias mais felizes uma certa terça-feira a que dedico a parte final desse texto e que tenho especial alegria em partilhar.

Essa caminhada trata da busca de um propósito de vida mais significativo, a vivência livre de tantos medos, inseguranças e conflitos. Um aumento da consciência, valorização das coisas que são verdadeiras e renúncia de falsas ilusões.

Embora corra o risco de fazer desse testemunho um pouco longo, decidi fazer uma introdução sobre minha história para que se fique claro o contexto no qual essa experiência se deu. Espero assim oferecer uma maior clareza na dimensão da experiência,  para aqueles que se aventurarem nessa leitura.

 

Fui batizado, crismado, fiz a primeira comunhão , frequentei a escola primária, aprendi a me dedicar aos estudos que meus pais puderam me proporcionar. Ia a missa com minha mãe, regularmente durante um certo período, mas não me sentia especialmente à vontade na celebração. As palavras eram distantes, meu coração não estava ali, embora gostasse do ambiente e das imagens que me traziam uma certa sensação de conforto e paz.

 

Quando atingi a adolescência, seduzido pelas diversas possibilidades e experiências com que o mundo acenava a minha volta, socialmente e culturalmente, comecei a explorá-lo. Assim como o filho pródigo, fui em busca do mundo.

 

Essa busca sempre foi marcada por uma sensação de incapacidade de lidar com todas aquelas possibilidades, que se ofereciam para mim. Parecia que eu não era capaz de “dar conta do recado”, era como um pequeno animal que se afastava pouco da "toca", explorava um pouco, mas logo sentia necessidade de voltar.

 

A vontade de viver era grande, mas o medo esmagador. Tinha uma especial dificuldade de lidar com perdas, afastamentos, o conceito da morte, sobretudo morte dos meus entes mais queridos.

 

 A forma com que respondi a isso foi busca de segurança, controle. Meu relacionamento com minha família (pai, mãe e irmãos) sempre foi muito intensa. Isso se estendia a minha ligação com minha cidade, Cachoeiro de Itapemirim, núcleo da minha família, e com as lembranças da minha infância querida.

 

Entretanto, alguma força parecia sempre me empurrar para fora deste núcleo. Aos 16 anos, “tive” que deixar essa zona de conforto para cursar a faculdade. Na época, não haviam muitas alternativas de cursos superiores em minha cidade. “É um desperdício esse menino ficar numa cidade tão pequena” diziam. Eu acreditei nisso, mas o que eu queria de verdade, era ficar.

 

Cursei a universidade durante 5 anos. Graduei-me em engenharia com bom desempenho embora limitado na minha capacidade de concentração em função da mente assaltada pela saudade. Era como ter me alistado na legião estrangeira. Sempre à espera era sempre do próximo feriado, do próximo recesso de férias e da minha formatura para poder “voltar”. Ao me formar, ansiava voltar ao núcleo da minha família, minha cidade, “voltar para casa”, porém nenhuma remota possibilidade se desenhava.

 

Ao contrário, no meu trabalho, confirmava-se a necessidade de estar no Rio de Janeiro e com frequentes viagens internacionais. Que só faziam com que eu me sentisse mais distante.

 

O que eu não sabia era que esse sentimento de distanciamento era causado por um afastamento não do meu núcleo familiar, mas um distanciamento causado por mim em relação a Deus.

 

Apenas a aceitação de que a minha segurança estava em Deus e não nos meus vínculos com família e cidade natal seria capaz de por fim a essa sensação de ter sido exilado. Assim, qualquer lugar seria meu lugar.

 

Mas eu não sabia de nada disso e nem queria perceber. Assim, os sintomas foram aparecendo e me impuseram um viver limitado e fechado, longe da plenitude que o meu íntimo desejava: 

ansiedade generalizada, insegurança, variações de humor, impaciência, vaidades e busca de resultados como forma de compensação, necessidade de controle, vitimização.

 

A essa altura eu já tinha me aperfeiçoado na arte de ser eficiente para produzir resultados, através da minha mente racional. Tinha me tornado um profissional competente, responsável, respeitável, formado uma família.

 

Mas o vazio, a sensação oca de significado, a falta de sentido, a insustentável percepção de que tudo parecia estar escapando ao meu controle, e o cansaço de ter de estar atento o tempo inteiro me esmagavam.

 

Apesar de já ter as “condições materiais básicas para felicidade” que tanto faltam a maioria dos brasileiros, isso não bastava. Pior, me sentia culpado por tê-las e não estar pleno e ao mesmo tempo um pavor de perdê-las.

 

Me sentia refém de um modelo de vida, que me escravizava e que me fazia correr permanentemente. A melhor metáfora que encontro para isso é a da cenoura na ponta de uma vara, que nos faz correr sobre uma esteira.

 

A luz me veio sobre a forma de um programa de tv da Rede Vida, onde vi a entrevista da Sonia (disponível nesse site através do link  http://www.psicologiaefe.com.br/NoticiasEventos.html#redevida   ). Ao vê-la falando coisas maravilhosas que encontraram eco e ressonância em meu coração, percebi que era aquele terreno que eu PRECISAVA explorar.

 

Já era um chamado. Fui ao telefone, marquei uma hora. Não sabia se seria um tratamento ou não. Apenas queria mais daquelas palavras que ouvi durante alguns minutos.

 

Em consultório, durante terapia psicológica, pude de novo colocar toda a minha habilidade mental em prol de um objetivo: juntar as peças do quebra-cabeça da minha história e buscar , através da razão e da interconexão de idéias, as sabotagens psicológicas que a minha mente provocava e que desaguavam em medos, e outros comportamentos emocionais lesivos, fazendo sofrer a mim mesmo e aos outros.

 

Hábil em usar a mente, estimulado pela competência profissional da Sonia e movido pela coragem (hoje acho que sei de onde ela veio) de encarar todos os meus defeitos, dificuldades sem armas, pude evoluir muito em auto-conhecimento.

 

Foi assim, que, um ano e meio depois, recebi “alta” da psicologia. Segundo a Sonia, eu já tinha instrumentos suficientes para me reconhecer psicologicamente, enxergar meus comportamentos disfuncionais, entender porque eles aconteciam, desarmando assim o ciclo sabotador do meu comportamento.

 

Sim, de fato, minha qualidade de vida melhorou significativamente. Com todos ao meu redor.

 

A consciência de que meu ego é um inimigo que mora dentro de mim, que minha visão do mundo e dos outros é moldada por minha história, que minha forma de amar é muitas vezes distorcida por apegos, embates inúteis, e a disposição em me tornar uma pessoa melhor para quem vive ao meu redor fez com que eu abandonasse muitos dos comportamentos instáveis e agressivos.

 

Porém, isso representava apenas o início do caminho. Eu e Sonia, através da psicologia, tínhamos apenas explorado um terreno escuro, lançado uma luz e "varrido a poeira do sótão". Tínhamos jogado muita coisa inútil, velha e empoeirada fora.

 

Mas agora a casa estava vazia. Era preciso enchê-la com outra coisa. E já sabíamos do que era....

 

As analogias das mazelas psicológicas com a proposta de libertação de Jesus Cristo eram lições maravilhosas que se desenhavam a cada encontro meu com a Sonia, através da poderosa abordagem da Psicologia somada a Fé, cujos princípios vocês podem conferir explorando os textos desse site .

 

“Vinde a mim, e eu vos aliviarei”

 “Quem quiser a sua vida, perdê-la-á. E quem perdê-la por amor a mim, a achará”, “Busqueis e achareis”

“Quem beber dessa água não terás mais sede”

“Buscai primeiro o reino de Deus”

“Ninguem pode servir a dois senhores”

“De que adianta o homem ganhar o mundo e perder sua alma ?”

 

São apenas algumas das passagens que mostram que se quisermos nos livrar do viver limitado, inseguro, ilusório e irmos em busca de uma vida mais significativa precisamos nascer de novo.

 

Ao invés de alimentar permanentemente nossa fogueira interior de orgulho, vaidades e egoísmo, abandonar os valores do mundo e entregar nossa vida em serviço de Deus, unindo-se a proposta de humildade de Jesus Cristo.

 

A essa altura, eu já acreditava que era impossível ter uma vida plena e feliz se de fato não mudasse os meus valores, objetivos e proposta de vida.

 

Racionalmente, já havia entendido que o modelo de sucesso humano , que a sociedade impõe,  faz com que nosso coração se torne refém. Que apenas Deus nos ama e nos deixa livre.

 

Passei a colaborar com a Psicologia e Fé através da edição desse site. Até escrevi textos sobre isso aqui .

 

Entretanto, estranhamente não era possível para mim SENTIR MEU CORAÇÃO ARREBATADO POR ISSO.

 

Deus não vai nos livrar de todo o sofrimento, mas sua promessa é a de que se nos voltarmos para ele, e entregarmo-nos ele nos consolará.

 

Fato é que apesar de já acreditarmos racionalmente na salvação, não significa que nosso coração já tenha aceitado isso e que a Fé tenha se instalado.

 

“Não se chega a Deus pela inteligência, mas sim pela Fé”

 

Os medos continuavam, a necessidade de ter o controle continuava imperativa e eu me sentia como se soubesse a teoria, mas não conseguisse viver o que eu já entendera.

 

Assim, perdi durante um período o ímpeto de escrever. Não podia mais escrever coisas que não sairiam do papel. Me sentia um impostor. Um pai que dá orientações ao filho, mas ao fazer, faz de forma diferente.

 

NÃO CONSEGUIA ENTREGAR.  ATË QUERIA POIS ESTAVA CANSADO, MAS NÃO ERA CAPAZ.

 

Confessei a Lucia, colega de grupo, que já entendia a necessidade da Entrega, da confiança e da renúncia ao controle, e abertura do coração para Jesus, mas essa certeza era algo que continuava encerrado na minha mente e que meu coração parecia não ter acesso.

 

Ela disse: “Você tem que permitir que Jesus entre e "quebre" você. Ore por isso”

 

E percebi então a ferramenta que eu ainda não tinha utilizado, pois era diferente de tudo o que me era familiar: A ORAÇÃO

 

Após uma semana de angústia, onde fui visitado pelos mesmos problemas de sempre, os mesmos medos de sempre, as mesmas angústias de sempre, pus-me a orar para que Ele invadisse meu coração, tomasse conta e me desse coragem para a ENTREGA.

 

Sonia me ligou naquela terça-feira logo de manhã.... Temos nosso encontro do Grupo Partilha de Dons as terças-feiras, de 14:30 até as 17:30. ( http://www.psicologiaefe.com.br/NoticiasEventos.html )

 

Perguntou porque eu havia “sumido”. Eu disse que tinha “saído do ar” por causa dos mesmos problemas de sempre. Havia me fechado, e estava muito angustiado. Ela então disse: "Não falte hoje ao grupo. Me foi revelado que hoje é um dia especial". Entendi isso como um sinal e uma resposta aos meus clamores da semana que passara e a certeza de que eu deveria ir me invadiu.

 

Fui ao encontro chegando mais cedo do que o usual e participei, pela primeira vez, da cerimônia da adoração. Nunca tinha visto o ostensório tão de perto.
 

Já era diferente de tudo que havia experimentado até então. Comecei a sentir meu coração abrindo, e pus-me a orar e adorar enquanto cantávamos músicas de adoração. 

 

Desejei, mais do que nunca, RENUNCIAR A MIM MESMO E UNIR ME A JESUS CRISTO , ABANDONANDO A MINHA VONTADE E UNINDO-ME A VONTADE DELE E DO PAI.

 

Me veio uma oração que fiz em voz alta, clamando pela benção da ENTREGA, pedindo misericórdia e que Ele me desse forças e coragem para abrir meu coração e uni-lo a Sua vontade.

 

Após concluir a oração, sentei-me. Apenas aquela manifestação de desejo de entrega já parecia aliviar-me os ombros de uma grande carga. Lágrimas começaram a cair em emoção.

 

A essa altura, o Marcos, um dos membros de nosso grupo, de conhecimento e experiência mais avançados, sentiu no coração um chamado: de que as pessoas que se sentissem capazes, subissem ao altar para impusesse as mãos por aqueles que queriam entregar, que queriam dar o “salto no escuro” e não tinham coragem.

 

Levantei a mão, não para orar, mas para ter as mãos impostas sobre mim.

 

Várias pessoas fizeram o mesmo. E o que se seguiu foi algo indescritível em palavras.


Fui tomado por uma vontade de entregar, de deitar , de dormir. Minha perna tremia e eu suava em um sentimento de intensidade indescritível. Não me senti a vontade para deitar, nem sabia se seria adequado. Uma das pessoas deitou no altar. Outras choraram. Outras louvavam em voz alta, entregando se ao máximo que podiam.

 

A mente já não era senhora, e o coração aberto e a imersão no Amor de Cristo imperavam.

 

Depois fui informado que se tratava de um “batismo no Espírito”. O momento através do qual, por uma fresta aberta por nós e nosso coração através do nosso “SIM”, o Espírito se manifesta nos dando a certeza absoluta do Amor de Deus.

 

Não sei o que virá agora... Sinto me como tivesse chegado a um lugar deslumbrante e tivesse o primeiro impacto da paisagem...  Tenho um certo apego com o que aconteceu naquela terça-feira, como se quisesse reter em minha mente o cartão postal daquela linda paisagem.

 

Tenho certeza que tem muito mais por vir. Sei que só virá se eu continuar fiel na Entrega, na desistência de mim mesmo e na minha total Entrega a Sua vontade, vivendo UNO em Cristo e me colocando os dons que Ele me confiou a SEU SERVIÇO.

  

Não posso nem confiar em mim mesmo nem para isso. Por isso, a partir de agora, orarei para que Ele me fortaleça e impeça que eu me afaste desse propósito.

 

A vida adquire assim o sentido que sempre desconfiei que tinha, mas que não podia enxergar pois estava cego ao Amor de Cristo por causa da poeira levantada pelas coisas do mundo.

 

Graças a Deus por essa Luz.

 

Paz a todos

 

Jorge Tannure Penedo

 

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