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Testemunho de um atropelamento Indique esse texto a um amigo... |
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Era uma terça-feira aparentemente como qualquer outra e após fazer algumas coisas rotineiras de terças-feiras, eu me preparava para o grupo Psicologia e Fé na Paróquia Santo Agostinho. O “interessante” é que desde o domingo anterior uma música se impôs em minha cabeça e eu fui atrás de aprendê-la para tocar e cantar nesse grupo de oração. Pela manhã eu consegui a música e saí cantarolando mental e permanentemente, até que voltando do almoço, ao guardar a moto (scooter) que dirigia, sofri um acidente do tamanho do mundo. O acesso à minha garagem é através de uma rampa/ladeira que só dá passar um carro de cada vez. E é entrada e saída pelo mesmo lugar. Temos um sinal verde e vermelho além de um enorme espelho para facilitar o trânsito, mas... o inevitável aconteceu. O sensor não marcou que havia um veículo para acessar à rampa, acredito que por pouco peso da moto, e um carro subiu naquele mesmo momento sem saber da minha existência ali para iniciar a descida. Bem, lá veio uma Mercedes Classe A, com boa velocidade, já que tinha que subir uma rampa e me pegou de frente, em cheio. Foi incrível aquele intervalo entre ver um carro enorme vindo contra mim numa lambreta e a surpresa, com a batida violenta, já que a motorista não me viu. Portanto, ela só freou após colidir comigo. Eu não acreditei !!! Cheguei a pensar: Morri! A pancada foi tão forte que a moto entortou toda e eu fui parar entalada embaixo do carro. Daí para frente foi bombeiro, ambulância e hospital de pronto-socorro. Se num primeiro momento eu cheguei a achar que tivesse morrido, logo após ser tirada pelas pessoas de debaixo do carro, eu queria acreditar que sairia dali sem demais problemas. Mas não foi bem assim. Entretanto, uma espécie de nuvem, de perfume do céu foi tomando conta dos acontecimentos. Primeiro, a motorista foi muito atenciosa e carinhosa comigo e disse: “Em nome de Jesus, nada de mal vai te acontecer”. Em geral as coisas não costumam acontecer assim... Depois, o porteiro chefe do prédio me cercou de cuidados para que nenhum mal me acontecesse por falta de atendimento e também pela sua forma de proceder. Isso tudo eu via já imobilizada por um colar cervical. O pessoal do bombeiro foi muito amável também e eficaz. O atendimento no hospital municipal de emergência, apesar de demorado, não foi o caos que aparece nas reportagens. Fui liberada 5 ou 6 horas depois, ao atestarem que não havia nenhum osso quebrado, apenas a necessidade de sutura por alguns cortes, um bastante profundo e muitos hematomas. Quando eu ainda estava relutando em que chamassem os bombeiros, mas começando a perceber que era necessário, olhei para o céu e disse: “Senhor, me entrego em tuas mãos”. Houve também outra relutância na hora de levar pontos, mas me lembrei do quanto Jesus sofreu ao ser flagelado e ofereci o meu sofrimento. De repente comecei a perceber os outros doentes daquela emergência, após me retirarem a imobilização e me peguei rezando por eles, como se eu não estivesse mais sofrendo. Lembro-me também que quando estacionaram a minha maca na emergência, os médicos olharam para os meus ferimentos e perguntaram entre si: foi violência? Parece que ali perto tinha havido um tiroteio e estavam para chegar vítimas. Mais uma vez senti o perfume de Deus banhando os meus machucados. A última vez que me encontrei numa emergência foi por causa de um assalto, como relatei no outro texto Por incrível que pareça, a dor é outra. Agradeci a Deus por mais esta Graça de poder perceber tantas coisas ali envolvidas. Não havia culpados. Houve um acontecimento que esteve inteiramente amparado por Deus. Embora não tivesse tido a vontade do MAL em deliberadamente me fazer sofrer, era como se eu tivesse visto a morte de frente e as interrogações de como eu ficaria depois daquela colisão. Naquela mesma noite agradeci muito a Deus por tantas coisas e principalmente por sentir tão presente e tão claramente a Sua presença. Fechei os olhos, mas só adormeci lá pelas 4h da manhã, quando me sobreveio um momento muito íntimo com Deus. A música que eu cantarolei desde o domingo anterior começou a tocar na minha cabeça como se Deus tivesse apertado o play do toca CD: “Invocamos o Teu nome, invocamos o Teu poder, invocamos a Tua presença no meio de nós”. E eu percebi que eu O estava invocando o tempo todo, sem saber o que estava para acontecer ou mesmo, o que deixou de acontecer por causa desta invocação. E o refrão era a constatação de que Ele queria este momento em particular comigo: “Manifesta, Senhor, o Teu poder Com prodígios, milagres, sinais. Manifesta, Senhor, neste lugar O Teu grande amor que tudo pode curar.” Foi a manifestação do poder de Deus em tudo, em cada coisa. Louvado seja Deus! Refletindo... Muitas coisas, a partir da grandeza incomparável da manifestação da presença de do poder de Deus me foram mostradas. O coração de Deus se derramando sobre mim naquela situação tão arrasadora fisicamente, foi algo sobrenatural. Eu me sentia como que espectadora daquilo que eu estava vivendo, ao mesmo tempo em que também sentia fisica e emocionalmente tudo o que acontecia. O que resultou em mim não foi algo do tipo: ufa, escapei! Mas, sim uma enorme gratidão e um enamoramento maior com este Deus-Amor. Eu havia sido presenteada com algo que até agora não sei descrever ou mesmo entender racionalmente. Fiquei, sim, muito machucada, mas não tive nenhum osso quebrado. Também o meu “coração” não ficou machucado. Senti que tudo ficou preservado. Não restou raiva, nem trauma...mas uma vida nova. As pessoas, entretanto, com suas atitudes, me mostraram na prática o que diz a Palavra de Deus: Ao ser perguntado Jesus sobre de quem era a culpa, respondeu sobre um cego de nascença: “Nem ele pecou, nem sua família. Isto é assim para que se manifeste nele o poder de Deus”. Nós nos preocupamos demais em achar a quem culpar, por acharmos que tudo possa ser controlado por nós. Assim, ao invés de recebermos cada momento de vida, cada situação – “boa” ou “ruim” como algo que está debaixo do cuidado de Deus, “como os fios de nossa cabeça que não caem sem que Deus o saiba ou permita”, ficamos a mercê de nossos medos. Diz a Palavra: “Não tentarás o Senhor teu Deus”, isto sim, mas se não vencermos com Deus os nossos medos, como seguiremos a Jesus em cada ato nosso. O medo se infiltra e já não sabemos mais até onde ele nos está afetando. A maravilha é, como diz Santo Agostinho, fazermos tudo o que nos cabe fazer pois estas coisas Deus não fará em nosso lugar, e todo o resto perceberemos com a Graça de Deus, a manifestação de Deus em tudo o que nos acontece. “Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus”. Isto tudo serve também para lembrarmos que com a tentativa de nos aliviarmos, frente ao sofrimento de alguém, chegamos ao absurdo de atribuir a responsabilidade, ou melhor, jogar na cara de quem já está sofrendo, a responsabilidade pelo seu próprio sofrimento. E digo isso em relação a outras situações: “Ah, você é quem desenvolveu este câncer, por ser tão rancoroso, etc.”. Parece que o ser humano sempre tende a se defender atacando. Não seria mais importante pedir a Deus coragem e discernimento para ir ao fundo da situação e absorvê-la, tomá-la como sua cruz ou ajudar a carregá-la de alguma maneira? “Deus não quer sacrifícios, mas misericórdia”. Deus não quer o sofrimento pelo sofrimento, mas o sofrimento entendido e acolhido rumo à redenção. Jesus terminou morto numa sexta-feira, mas ressuscitou ao terceiro dia e hoje está vivo e por isso dá sentido a nossa fé. “Se formos fiéis no pouco, ele nos confiará mais”. Que Deus nos abençoe e nos conduza sempre no seu amor e para o seu amor. Amém
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