|
|
|
|
|
Quando nos comportamos como nossa Filha Adolescente, por Adrianna A. de Abreu |
||
|
Uma mãe muito amorosa que se preocupa em educar e ensinar sua filha adolescente para uma vida de responsabilidade e liberdade se depara com a seguinte situação: A filha adolescente, que divide o quarto com a irmã mais nova (ainda criança), insiste em não manter o quarto arrumado. Deixa roupas espalhadas, portas abertas, restos de comida no quarto, toalhas molhadas pela cama e assim vai. A irmãzinha que não é encarregada da arrumação, pois há empregadas na casa, mantém sempre a sua parte arrumada e não reclama da bagunça da mais velha. Apesar da irmã mais nova não reclamar e de haver empregadas para arrumar (e que sempre o fazem) a mãe sabe que este não é um bom comportamento para a filha adolescente, pois mostra o seu egoísmo para com a irmã além de ser prejudicial a ela própria. A mãe vive pedindo com delicadeza para que a filha arrume a bagunça e esta não atende. Diz que tem quem o faça. Apesar de ter quem o faça a mãe sabe o quanto é importante que a própria filha faça a arrumação. Que este gesto trará um aprendizado não só para aquele momento, mas para a vida toda. A mãe, com muita paciência, pede a filha que faça a arrumação dia após dia. E como vê que não surte efeito o seu pedido resolve dar uma lição à filha, pois sente que ela precisa crescer e que já está preparada para isto (entenda-se aqui uma lição de amor e não uma vingança ou maldade). Num belo dia a mãe chama a filha para uma conversa e explica-lhe pacientemente e amorosamente toda a questão da bagunça e por fim diz que ficaria extremamente feliz se a filha arrumasse o quarto naquele momento. Mas tinha que ser naquele momento não podia deixar para depois. É claro que para a mãe a arrumação em si não era o importante, pois havia as empregadas que poderiam manter o quarto arrumado, ou até mesmo para uma mãe amorosa como ela, seria muito fácil ela-mãe arrumar pela filha. A questão não era a arrumação naquele instante e sim o aprendizado da filha). A filha ouve atentamente. Ela conhece a mãe amorosa que tem e entende perfeitamente o seu ponto de vista. A princípio acha que a mãe e até mesmo a irmã merecem esta consideração, que ela irá fazer um favor para a mãe e que será até divertido fazer algo diferente naquela tarde (não percebe que há uma lição para ela –filha por trás do pedido, que o maior favor que ela estará fazendo é para ela própria). Toca o telefone e uma amiga convida a adolescente para o cinema naquele instante (a mãe já sabia, pois a amiga já havia ligado antes, e por isso resolveu pedir a arrumação naquele momento). A filha fica dividida (o Zezinho vai também). - Mãe não dá para deixar para depois? Eu juro que quando eu voltar eu arrumo. - Eu pedi para que fosse agora. - Ai mãe tô dividida. O que eu faço? Decide para mim.... - Eu mantenho o pedido. Não te obrigo, te peço. A decisão é sua. A filha pensa, pensa e percebe que perdeu totalmente o interesse inicial pela arrumação. A mãe até que merece este favor, mas ela é mãe e vai entender que este cinema é muito importante. Afinal ela nem me obrigou, só me pediu. Além do mais tem as empregadas. Se não tivesse eu ajudaria, pois aí sim eu seria necessária para a minha mãe. A minha mãe me ama e não vai querer que eu me sacrifique por ela. A filha não vê, não conhece o bem maior que a mãe tem para ela com a arrumação. A mãe nada ganha com a arrumação apenas a felicidade de ver a filha amadurecendo, crescendo, se preparando para uma vida mais feliz. -Tchau mãe. É claro que a mãe não vai castigar ou deixar de amar a filha por isso. Ela fica feliz, pois vê que a filha já está dando mais atenção a ela, sentando para conversar, tentando entender esta cabeça tão complicada-retrógrada-ultrapassada-rígida que é a cabeça de uma mãe de adolescente. A mãe tem a certeza que um dia a filha cresce e espera pacientemente por isso. O mesmo acontece conosco. Deus é esta mãe que nos ama e desja nos ver crescer e amadurecer. Para isto Ele nos orienta, nos “dá lições”, nos pede. Ele nada nos obriga. Pensamos que fazemos muito por Ele e pelos outros. Muitas vezes não entedemos Seus propósitos, pensamos estar sendo castigados. Nos sentimos incompreendidos por Ele, até mesmo abandonados... Para a nossa felicidade Ele não desiste de nós. Está sempre a nossa espera para uma conversa.
|
||
|
2006 - Todos os Direitos Reservados |