Não levamos mesmo
a sério esta história de espiritualidade.
Preocupamo-nos demais com o nosso cotidiano rotinizado!
Vivemos numa constante correria, atrás de um montão de coisas que
queremos fazer ou obter.
Sonhos, sonhos e sonhos.
Não vivemos o presente.
Não valorizamos o que somos, o que temos, ou o que está nos acontecendo.
Tentamos realizar nossos objetivos.
Damos um duro danado para isso.
Ficamos desgastados...
São raros os momentos de felicidade e paz: não estamos neste rumo.
Nossas demandas internas não nos deixam sossegar:
“Trabalhe mais,
Aproveite mais,
Divirta-se mais,
Faça um curso complementar,
Não pare nunca!
Compre, compre, compre!
Visite os doentes,
Seja bom!”
Listas e mais listas para chegarmos onde achamos que precisamos para
estar bem.
Mas, desta forma?
Do outro lado estão as coisas mais sutis, invisíveis: “O essencial é
invisível aos olhos”.
Como é difícil valorizar o que não se vê, difícil andar na contramão...
Estas coisas não são valorizadas e muitas vezes até nos ridicularizam ou
desacreditam por causa delas.
Como é difícil nos soltarmos, esquecermos a opinião alheia que nos puxa
de volta com argumentações e lógica!
É difícil a entrega. Darmos o salto no escuro, sem garantias ou
recompensas, do tipo a que estamos acostumados.
Ninguém será forçado ou convencido a isso.
Esta será uma decisão pessoal, existencial e intransferível.
Na verdade, é como se isto sempre estivesse lá, aguardando por nós,
esperando que aos pouco fôssemos assumindo, experimentando.
É preciso nos livrarmos de nossos arquivos de conhecimentos teóricos e
os transformarmos em experiência viva: vida!
Não adianta sermos os melhores teóricos se não ousarmos dar o passo
fundamental:
Concretizar com a vida aquilo que pregamos por aí.
E situações não faltarão a nos convocar.
Existirão momentos em que estaremos sozinhos, apesar de nossos amigos e
posses.
São momentos temerosos, mas grandiosos, que nos ajudam, de forma
singular, a reavaliar nossa vida.
Mas como é difícil nos deixarmos ir nesta direção!
Nossa mente é voltada para a ação, para o sucesso, para ganhar!
Quando chega a parte da humildade, simplicidade e pobreza, aí sim, a
coisa incomoda, vira polêmica racional.
Importa é saber como estas coisas batem em nós.
“Se fiéis no pouco, muito vos será confiado...
Buscai primeiro o Reino de Deus e tudo mais vos será acrescentado...
Nenhum criado pode servir a dois senhores: ou odiará a um e amará o
outro, ou...
Onde estiver vosso tesouro aí estará o vosso coração....
Mas quem dentre vós pode com sua preocupação acrescentar um momento
sequer à duração de sua vida? Portanto, se não podeis fazer as coisas
mínimas por que estais ansiosos por causa das outras?...
Nem pensem no dia de amanhã...
Ajuntai tesouros que a traça não possa destruir, tesouros que nos céus
não se
esvaziará.”