Não entrarei aqui no mérito
das causas e tipos de depressão, mas sim na necessidade de quem está
deprimido, em olhar para aquilo que está sentindo não como um paciente
alheio à sua doença, mas como alguém que tenta entrar mais em contato
consigo mesmo e perceber coisas a partir disto.
Ninguém gosta de se sentir deprimido nem relaxa esperando todo o
incomodo passar. Mas também se perde muito quando se tenta apenas livrar
da depressão.
Ela não desaparece num passe de mágica.
É claro que há que se avaliar o tipo de depressão.
Remédios podem ser indispensáveis.
Tudo deve passar por um criterioso diagnóstico inicial. A depressão como
um sintoma. Geralmente
pensamos na depressão como o problema a ser eliminado.
É inegável seu efeito devastador em nossas vidas.
Entretanto, precisamos pensar nela também como uma febre que sinaliza
algo maior.
Há que tratarmos a depressão com o cuidado de entendermos aquele que
sofre de depressão.
Não é igual para todo mundo.
Cada pessoa estará dizendo algo particular com esta dor que exibe... a
sua depressão. A busca por alívio.
Nenhum de nós gosta de sentir dor, ainda mais uma dor tão difusa e que
muitas vezes, por ser pouco visível aos olhos dos outros, é considerada
frescura ou exagero.
Mesmo assim é importante lembrar que a dificuldade da situação, nos
propicia a possibilidade de avançarmos mais em relação ao ponto em que
estamos na vida, começando pelo melhor entendimento desta dor que está
sendo vivida no momento e que pede tratamento.
Quando a crise passa, em geral vamos tocando a vida sem maiores
critérios, o que pode até nos levar a outros momentos difíceis, dada a
provável acomodação em que entramos. Quando estamos sofrendo, ficamos
voltados para o problema.
Quando melhoramos e sentimos que o pior já passou, não seguimos com o
tratamento necessário.
Em geral somos muito imediatistas e não percebemos a proposta renovadora
, o alerta que trás a depressão. A depressão como um fator de renovação.
Se fossemos mais atentos não teríamos dúvida de que tudo tem sua função
em nossas vidas, tudo pode ser aproveitado para o nosso crescimento
pessoal.
Se olharmos para a depressão como uma auto-expressão nos enriqueceremos
muito em conhecimento sobre nós mesmos e perceberemos os antídotos para
esta “doença” em nós.
O tratamento é contínuo.
Quando melhoramos da depressão não devemos parar de nós cuidar e sim
procurar melhorar sempre a nossa qualidade de vida, estender nossos
limites, nossa capacidade de lidar com as coisas.
Precisamos buscar entrar em contato e lidar com o que está nos
acontecendo naquele dado momento.
Não se deve relaxar achando que o pior já passou.
Há sempre algo a ser vencido ou entendido, por isso precisamos
"exercitar nossos músculos”, caso contrário eles não estarão sendo
preparados para as naturais exigências da vida e poderemos cair
novamente em depressão. As situações difíceis levam invariavelmente todos à depressão?
Não. Em uma pessoa pode levar a uma tristeza passageira, em outra à uma
reação agressiva, que pode até ser um sintoma depressivo, etc.
Entretanto, para caracterizar depressão vários fatores devem coexistir.