Transtorno alimentar: a história que existe por trás do que aparece nas pessoas...                                                                                                                            Indique esse texto a um amigo...

Para começo de conversa, é muito difícil tentar expor algo às pessoas uma vez que estas coisas são mais do passado delas, não facilmente identificável no momento presente, o que é sempre o que as pessoas querem resolver.
Mas sem atentar para o começo da história estaremos comparativamente tentando tratar as febres que aparecem como se elas fossem o problema e não o sintoma, a ponta do iceberg.

Há muitas coisas a serem consideradas, mas desde já é preciso lembrar que cada caso é um caso e NUNCA se poderá chegar à uma receita de bolo... à uma generalização.
Primeiramente, uma avaliação da saúde se faz totalmente necessária para descartar uma origem orgânica que esteja se somando às causas ou mesmo determinando o aumento de peso.    
Por um outro ângulo há aspectos também a serem observados no
comportamento humano: o componente afetivo, que pode se expressar de variadas formas. Assim, há que se avaliar:
. O lugar(a função) da comida na vida das pessoas. 

 Temos muitos hábitos sociais que envolvem o comer.
Comida freqüentemente serve para nos confraternizarmos e comemorarmos. Sua quantidade, a fartura, parece atender às nossas necessidades de sentir que vai tudo bem. Somos muito ligados às aparências e à tradição cultural e histórica. Assim, não raro, confundimos desde os tempos remotos, saúde com bebês gordinhos... Parece dar uma tranqüilidade aparente, principalmente às mães. Hoje em dia isto vem mudando mas parece estar muito forte em nossa memória inconsciente.
. Suas ansiedades

Angústia de Separação
Este termo usado por Freud, tenta exprimir o que a separação da mãe, mesmo que por instantes causa ao bebê.  Em sua imaturidade afetiva emocional, teme que a mãe, que se afastou dele apenas para fazer alguma coisa em outra parte da casa, não volte nunca mais.  Isto acontece pois àquela fase de sua vida, ele ainda não entende, não consegue abstrair certas coisas e se desespera.  Isto é normal naquela altura de sua vida.  Observando e analisando esse comportamento se pode entender muita coisa sobre os mecanismos da ansiedade na vida atual.

A necessidade fisiológica da fome parte da falta de, no caso, alimento. Entretanto, com a alimentação, ou melhor, com a amamentação vem suprimento para duas prováveis fomes ou necessidades: a fisiológica e a afetivo-emocional. Começa, então, a associação entre comer e ter satisfação, saciedade, prazer, aconchego, proteção... amor.
. Imaturidade emocional e auto-gratificações. 
O tempo vai passando, embora o indivíduo ainda esteja engatinhando na dura percepção de que ele e a mãe já não são mais UM( simbiose). Com isto vem a necessidade dele ir amadurecendo no entendimento de que o mundo não vai girar em torno dele mesmo como até então parecia, enquanto no útero materno. Já nos primeiro momentos de sua vida ele terá que ir se dando conta da realidade e administrando suas ansiedades e frustrações em saber que não será exatamente como ele desejar. Já aqui começamos a dimensionar o papel da educação na vida das pessoas e de quanto é difícil mas importante sabermos dizer sim e não aos filhos, pois eles podem adquirir uma idéia deformada da realidade que desde então estará se estruturando. Este será um microcosmos da vida como ela é, com suas possibilidades e limitações. Mas, não temos esta noção e a cada choro queremos aliviar nossos amados...

. Traços fortes de dependência e inseguranças.

Com esta conduta de fornecermos aos nossos amados, mas insatisfeitos, o que eles parecem querer estamos, muitas vezes, os estragando em seus hábitos alimentares e em sua maneira de lidar com a vida.

A frustração não é somente uma dor
, uma falta que se quer resolver, mas refere-se a limitações comuns da vida com as quais nos depararemos e nos possibilitarão transformações importantes sem as quais não conseguiremos crescer... ficaremos crescidos por fora mas, por dentro,... andando em círculos.

Uma idéia da manifestação destas coisas na vida adulta é a vivência de uma situação de crise em nossas vidas. Se não tivermos entendido lá atrás que nem sempre tudo é resolvível ficaremos em nossos sonhos, achando que num passe de mágica as coisas se resolverão e nunca, inclusive, chegaremos a ter uma fé madura. Quereremos sempre um Deus que nos atenda como nos acostumamos a ter em nossas vidas.
Na falta é que crescemos, despertamos para suprimentos internos que nem conhecíamos: “quando sou fraco é que sou forte”.
Mas há muita confusão complexa e profunda dentro de nós. Achamos que precisamos comer parar ficar fortes, ou ainda para enfrentar/ter forças para tal situação, ou mesmo para garantir suprimento/um estoque caso tenhamos a sensação de que a comida ou outras tantas coisas possam nos faltar na vida... Mas o duro é que estas coisas estão lá no fundo de nós e pode até ser que apenas lendo um texto não alcancemos sua essência em nós. Não observamos nada no dia a dia, apenas seguimos vivendo. 
Outro comportamento que deve ser observado no mundo de hoje é como a comida tem servido de prêmio e precisamos atentar para o fato de que a vida não pára, ela não tem fim, só com a morte. Entretanto, às vezes parecemos já ter chegado onde queríamos em nos colocamos a celebrar nossos méritos, nosso esforço pessoal e louvável com a boa culinária, que pode ser o bolo que a vovó faça como ninguém ou uma culinária requintada a que se tenha acesso.

Não se pode parar!
A medicina inclusive nos diz que o sedentarismo é um fortíssimo fator de risco que pode nos levar a situações fatais.
Será que seria exagero dizer que quando paramos morremos, ou corremos o risco de, por deixarmos de evoluir ou mesmo por comprometermos nossa saúde, física-emocional-espiritual?!
Na vida aprendemos SEMPRE. Nossa caminhada é eterna, mas às vezes sem perceber PARAMOS interna e externamente e ficamos só gozando dos benefícios alcançados. 
Comer demais é um problema. Na verdade deveríamos comer para viver e não viver para comer. O trânsito de alimentos e de idéias e de sentimentos e de situações mal resolvidas em nós, pode nos impedir de desabrochar para a vida, de nos esvaziar de muitas coisas que ocupam muito espaço em nós, nos engordam, estufam, em detrimento de nos alimentarmos das melhores coisas da vida. Se estivermos muito c h e i o s não haverá espaço possível, nem estaremos na busca de coisas não tão densas e materiais. Neste novo caminho mudaremos nossas preferências e escolhas pois normalmente o lado de fora expressa o de dentro. Buscaremos alimentos mais saudáveis, leves e moderaremos o ato de comer, ao invés de devorarmos a comida. 
A falta de disciplina – o corpo mole.
Um aspecto super importante de ser notado e que diz respeito ao comportamento adulto é a disciplina: o vencer a fantasia de pensar que as coisas cairão do céu. Junto a isto observemos também o mundo do fast food e a postura característica de não sabermos esperar: fast TUDO!
É importante pensarmos na importância do passo a passo, de um dia após o outro. Se não nos propusermos a este nível de reflexão e de reestruturação, provavelmente não teremos deixado para trás esta situação de coisas em nossas vidas, como no caso da importância fundamental de se tratar a dependência, até mesmo para aqueles que buscam uma fundamentação na fé: Deus nos quer LIVRES: “quem quiser me seguir, tome sua cruz e venha”. Tudo isso age em nós e nós leva a um outro ponto a ser observado: a obesidade como expressão de nosso viver, como expressão de acúmulo e dificuldade de digestão das coisas da vida, o que nos leva a outro dado: à depressão que se esconde na obesidade.

Hoje já se sabe que uma forma atual de depressão é a obesidade ou outros tipos de transtornos alimentares, já que há um enorme culto ao corpo o que leva pessoas com fortes traços de carência e consequentemente à dependências emocionais, a pautarem erroneamente sua felicidade em estarem ou não de acordo com os padrões valorizados por aqueles que são mais importantes em suas vidas. Para estas pessoas o que importa não é a saúde, mas sim o que mais as alimenta, supostamente, ... o parecer dos outros, o que não dá segurança suficiente nem duradoura. É um vida escrava, mesmo que não se perceba, é uma existência triste e estressante.
Por isso é que devemos ter consciência de todos estes fatores e outros mais que somados podem levar uma pessoa a chegar às raias do desespero por ouvir de quase todo mundo e até estar convencida de que é apenas uma questão de força de vontade.
Lembremos sempre, o que aparece em nós que precisa de cuidados é apenas a ponta do iceberg, ou, em outras palavras, uma febre que apenas sinaliza para a presença de algo maior a ser verificado, entendido, tratado.

 

 

2006 - Todos os Direitos Reservados