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Nós confundimos felicidade com ausência de sofrimento, quando ela é consequência da liberdade que conquistamos quando paramos de fugir do sofrimento e adquirimos serenidade para atravessar momentos difíceis. O exemplo de Jesus na cruz mostra como o sofrimento pode ser aceito e superado através da ressureição e nos mostra uma forma nova de encararmos as adversidades da vida. |
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Texto de Jorge Tannure Penedo Indique esse texto a um amigo...
Ao confundir felicidade com ausência de sofrimento, o ser humano entra em uma das maiores armadilhas que o mundo oferece e se condena a viver sua vida inteira como fugitivo.
Como podemos imaginar, a vida de um fugitivo não é fácil:
E é assim que vivemos boa parte da vida, esforçando-nos ao máximo e às vezes ultrapassando nossos limites para não sofrer.
Muitas vezes, somos capazes de nos esconder atrás de pessoas inocentes para que essas levem a culpa, mas não nos apresentamos como responsáveis temendo alguma punição. Outras, não paramos para socorrer alguém de uma injustiça pois "pode sobrar para nós".
Aquele que se diz pronto para sofrer é chamado de masoquista. Pensamos: Eu hein ? Esse aí gosta de sofrer ! Só pode ser maluco !
Existe uma diferença muito grande em aceitar o sofrimento e procurar por ele, este último comportamento básico dos indivíduos masoquistas.
Quando aceitamos o sofrimento, nos tornamos maior que ele e assim ficamos livres do medo que nos assola ao assumirmos uma posição de fuga.
Nossa grande dificuldade para lidar com sofrimento vem basicamente de dois fatores:
a) O culto ao conforto e a ausência de sofrimento como forma de valor Todos consideramos muito triste sofrer e ninguém quer ser chamado de sofredor Existe uma dimensão pejorativa nessa palavra, que nos leva ao coitadinho e ao incapaz. Ninguém quer ser considerado incapaz por sofrer, pois isso implica em falta de valor ! Mais uma vez nos enganamos quando mendigamos o valor que as pessoas nos atribui ao invés de nos fiarmos apenas no valor assegurado por Deus, simplesmente por nos ter dado a dádiva da vida.
b) Nosso medo de não suportar e morrer A preservação da vida é o principal vínculo estabelecido pelo homem em sua dimensão humana. Veja bem: em sua dimensão humana A morte é a sombria "senhora do mundo" e dela ninguém escapa. Mas isso é verdade quando consideramos apenas a a dimensão humana. Entretanto, quando passamos a considerar a dimensão divina, a morte se torna perdedora. O primeiro a vencer a morte, abrindo mão de seu apego a dimensão humana e abrindo-se a sua dimensão divina, foi Jesus Cristo. Na Cruz. Enquanto quisermos aparecer sempre "bem na foto" e estivermos apegados apenas à vida terrena, viveremos fugitivos. Viveremos nossa vida como uma contagem regressiva, sem saber em que número ela acaba. Acabamos por tornar o tempo útil de vida em uma experiência de medo e preocupação, tentando a todo custo impedir o inexorável. No fundo, queríamos que Deus abrisse uma exceção em nosso caso e nos poupasse da morte. E se possível aqueles que amamos também. Mais uma vez, a proposta de Jesus Cristo é surpreendente, reveladora e libertadora. Ele olhou a face da morte de frente com os olhos de quem não é desse mundo. Assumiu a proposta de carregar nas costas o pecado do mundo, através do seu sofrimento e da entrega de sua vida terrena. Foi humilhado, vilipendiado, açoitado, mas assumiu tudo isso com força, coragem e humildade a vontade do Pai. Mas, acima de tudo, foi livre para aceitar a condenação, a cruz, a morte sem precisar fugir ! E ressuscitou , vencendo a morte ! Transcendeu e foi maior que ela. A ressureição representa a certeza de que o homem é maior que sua dimensão humana, e que verdadeiramente não pertence a esse mundo. Por isso, não deve se apegar a ele demasiadamente, mas sim entregar sua vida na mão do Pai.
Nosso sofrimento é a forma que Deus se utiliza para nos buscar para mais perto Dele. Não deveria ser encarado como algo que nos oprime, mas algo que nos orienta para a Verdade.
Todos sabem que "é no sofrimento que se cresce" . Mas como evitamos sofrer ! Será que não queremos crescer ? Ou será que não podemos nos candidatar ao crescimento porque estamos atados ao medo de sofrer.
É como se o diamante bruto tivesse medo do esmeril que o faz ficar mais belo, através da dor.
Precisamos olhar com maturidade a proposta de Jesus na Cruz. Entendermos definitivamente que é inútil ficar permanentemente fugindo aterrorizado dos sofrimentos. Que isso é desperdício de vida ! Que a coragem e serenidade para passar pelos problemas seja uma constante em nossa vida !
Devemos desejar força para superar as adversidades e não a ausência delas.
Mas não conseguiremos isso sozinho ! É impossível para nós transformar a nós mesmos porque estaremos lutando contra nós próprios... a natureza humana. É como uma ferramenta tentar consertar a ela mesma.
Para isso, precisamos da ajuda de Jesus e do Pai, para que faça os nossos corações entenderem e viverem tudo isso, que a cabeça nos mostra que faz sentido, mas que nosso medo não permite que vivamos.
E isso se faz através de Entrega, Fé e Oração.
Diariamente e silenciosamente....
Um belo dia perceberemos que não mais tememos tanto a morte. E assim poderemos....
VIVER DE VERDADE !
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