A Volta do Filho Pródigo

                                                   

    Texto de  Jorge Tannure Penedo                   Indique esse texto a um amigo...

 

 

11. Disse também: Um homem tinha dois filhos.
12. O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres.
13. Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente.
14. Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria.
15. Foi pôr-se ao serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos.
16. Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.

17. Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância... e eu, aqui, estou a morrer de fome!
18. Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti;

19. já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados.
20. Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
21. O filho lhe disse, então: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.
22. Mas o pai falou aos servos: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés.
23. Trazei também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa.
24. Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado. E começaram a festa.
25. O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.
26. Chamou um servo e perguntou-lhe o que havia.
27. Ele lhe explicou: Voltou teu irmão. E teu pai mandou matar um novilho gordo, porque o reencontrou são e salvo.
28. Encolerizou-se ele e não queria entrar, mas seu pai saiu e insistiu com ele.
29. Ele, então, respondeu ao pai: Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito para festejar com os meus amigos.
30. E agora, que voltou este teu filho, que gastou os teus bens com as meretrizes, logo lhe mandaste matar um novilho gordo!
31. Explicou-lhe o pai: Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu.
32. Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado.

 

Esse texto mostra o quão poderosa é a narração em forma de parábolas, que Jesus tanto se utilizava.

Nesta curta história , Jesus nos conta sobre três personagens e seus dramas:

O Pai, ciente das aventuras do filho pelo "mundo", aguarda pacientemente pelo seu retorno. Quando isso acontece não só o recebe de volta de braços abertos em sua infinita compaixão e misericórdia, como manda celebrar grande festa.

O Filho, após ter abraçado a proposta do mundo, perde tudo, sofre as agruras de ter ido em busca de ilusões, se rebaixa ao ponto de comer com porcos. Entretanto, lembra-se da casa do Pai e percebe a diferença entre a proposta do Pai e a proposta do mundo. E põe-se a caminho de casa, arrependido.

  O Filho mais velho, que a despeito de não ter sido tão irresponsável como o irmão, se encastela na posição de filho fiel, mas se mostra duro de coração e incapaz de perdoar.

Todos nós, em nossa vida terrena,  vivenciamos o drama do filho pródigo. Somos lançados ao mundo, captamos sua proposta, seus valores e caminhamos nessa direção.

Na nossa sociedade moderna, estamos falando entre outras coisas de dinheiro, fama, poder, sensualidade, consumismo desenfreado, arrogância, competitividade, ambição, intolerância.

Tudo isso que se mostra como tentador, mas que a longo prazo nos domina e escraviza.

Resultado: Lampejos de prazer momentâneo e fugaz, porém dependência e sofrimento.

Mais cedo ou mais tarde, perceberemos o quanto essa proposta tem sido ilusória, e o quanto temos sofrido, por abraçar as causas acima. E o preço a pagar por isso é comer com os porcos.

Abre-se então o desafio de se "lembrar da casa do pai" e reorientar a vida no caminho de volta.

Deus permite que saiamos de casa para explorar o mundo, mas espera pacientemente que voltemos a Sua casa.

Uma vez que retornamos e confessamos a nossa desilusão, somos recebidos de braços abertos.

E Ele celebrará com imensa alegria o nosso retorno.

A partir desse dia, já não passaremos mais fome !

 

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