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Neste maravilhoso texto, que permeia muitas das principais mensagens de Jesus, somos convidados a entender a profundidade de Sua proposta e do convite a segui-Lo.
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Texto de Sonia S. Santos Indique esse texto a um amigo...
Usaremos uma das Palavras mais difíceis de Jesus para iniciar nossas reflexões: Encontra-se em Mateus10, 33-40. Trata-se do chamado de Jesus a cada um de nós a aderirmos ao plano de Deus. Jesus que é o Caminho, a Verdade e a Vida nos diz claramente nesta passagem que quem quiser segui-Lo, de verdade, pra valer, deve tomar sua cruz e segui-Lo. E acrescenta que quem amar mais seu pai ou sua mãe do que a Ele, este não O merece, não é digno Dele. E adverte que quem viver tentando apenas fazer tudo certinho, mas sem entregar-se de todo o coração à construção do Reino de Deus, este irá perdê-la. Ao passo que aquele que entregar sua vida seguido os passos Dele (Jesus), testemunhando com a própria vida Seus ensinamentos encontrará sua vida. E garante que quem acolher a quem quer que seja com amor será a Ele, Jesus, a quem estará acolhendo. E quem aceitar e seguir a Jesus também estará acolhendo o próprio Deus e a Sua vontade.
“Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus. Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada. Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra, e os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim. Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Aquele que tentar salvar a sua vida perdê-la-á. Aquele que a perder, por minha causa, reencontrá-la-á. Quem vos recebe, a mim recebe. E quem me recebe, recebe aquele que me enviou.”
Cientes de que sem o Espírito Santo de Deus não poderemos compreender Suas Palavras, queremos clamar pelos dons do Espírito para alcançarmos aquilo a que Ele nos chama a viver... Sabemos que sem o Teu Espírito não adentraremos o Reino dos céus. Ficaremos apenas a buscar cegamente a coerência através da inteligência, humana e material, que Tu mesmo nos destes. Ilumina esta jornada em busca da Verdade que nos dará a cura e a libertação de todos os males... Amém.
Examinando a Consciência
Sabemos que somos muito interesseiros e queremos tudo sempre a tempo e a hora como bebês. Choramingamos e esperneamos querendo que a nossa vontade seja realizada. Por causa deste nosso modo infantil e apegado de ser, mesmo sem perceber, fazemos de Ti, oh Deus, de Jesus - Nosso Mestre e Salvador e do Espírito Santo, servos nossos. Invertemos tudo! Assim, por medo de sofrer e por ignorarmos a Tua Palavra, buscamos o remédio mais prático e mais eficaz para os nossos incômodos e dores. Pura ilusão.
Medo e Sofrimento
Por medo de sofrer acabamos sofrendo mais do que precisaríamos. Muitos males emocionais vêm do fato de nos defendermos intensamente do sofrimento, de não aceitarmos a cruz. Acabamos tendo medo de viver. Vamos nos fechando e complicamos o nosso viver. Nós seres humanos temos necessidade de crescer em todas as áreas da nossa vida. Mas, é claro, sempre esbarraremos em dificuldades ou limitações nossas nos fazendo às vezes desanimar. Entretanto o único caminho para a saúde espiritual e emocional é tentar aos poucos enfrentar os medos. Abraçar a cruz de cada momento. Esta passagem (Mt10,33-40) nos mostra o quanto somos chamados à vida! Não podemos ignorar o quanto precisaremos sempre de crescimento, de transformação. Muitas crises de ansiedade ou pânico vêm do medo frente à vida. Às vezes parece que não daremos conta do que se está pedindo de nós e entramos em pane! Estancamos! Nos recolhemos! Temos medo de não agüentar a carga e acabamos ficando por ali, sem mais avançar... E a vida passa e a gente não consegue entender porque está tão amedrontado. Não é tão lógico, tão fácil para quem está sentindo fazer as conexões de causa e efeito. E isto dá mais medo ainda já que o grande medo da gente é o medo de não ter controle sobre a vida. Como então pegar pela frente um texto desses sem ficar com medo? Na verdade o chamado de Jesus não é para o sofrimento e sim para o amor, só que um amor que requer de nós um esvaziamento de nossos anseios egoístas e desenfreados para sermos capazes de alcançar o Amor Maior. Mas tudo precisará de um primeiro passo: o querer caminhar por este caminho: “Quem quiser seguir-me tome sua cruz e venha.”. Talvez muitos de nós não tenham ainda conseguido este QUERER, por sentirem que jamais o conseguirão. Assim, precisamos pedir a Deus este QUERER, apesar de não entendermos de antemão como este se dará. Temos que trabalhar para dar o nosso pontapé inicial, o que caberá exclusivamente a nós: o nosso SIM a Deus como o fez Maria... “E tudo o mais vos será acrescentado.”. Todas estas coisas não serão conseguidas através da lógica ou do poder do homem, mas através de sua confiança e amor por Deus. Para isso teremos que seguir de peito aberto querendo nos abrir para mais e melhor viver. Tudo isso será uma caminhada, um passo a passo até o último instante de vida. Não dá para nos acomodarmos e nos darmos por satisfeitos com pouco. Jesus mesmo nos diz: “O morno eu vomito.”. Na vida não dá para ficarmos estacionados. Ou estamos indo para frente ou para trás. Nenhum de nós, na verdade, preferiria parar de crescer. Se o fazemos é porque encontramos dificuldades e deixamos o medo conduzir nosso viver. Há uma frase que muito choca as pessoas: quem tem fé não tem medo.
Quem tem fé não tem medo?
Será muito radical? Ter medo significa não crer em Deus? Ou seja, a fé que eu sinto ter, no fundo, talvez não seja bem como eu penso? Os meus medos são um contra-testemunho da minha fé? Sim, esta parece ser uma das questões que mais inquietam os nossos corações, especialmente daqueles que querem ser fiéis a Jesus. Mas, lembremo-nos de Pedro na última ceia, em Lc22,33-34: “Pedro disse-lhe: Senhor estou pronto a ir contigo tanto para a prisão quanto para a morte. Jesus respondeu-lhe: Digo-te, Pedro, não cantará hoje o galo, até que três vezes haja negado que me conheces.” É bem verdade que queremos professar, viver a nossa fé, mas a carne é fraca. Buscamos de todo o coração praticar aquilo em que dizemos crer mas na hora de comprovar... Nem sempre o conseguimos. Temos tanto medo de sofrer... De não sermos capazes de agüentar a situação que fugimos. E este fugir pode ter vários aspectos na prática. Por medo de seguir em frente às vezes nos tornamos fóbicos, assustados ou ansiosos com tudo. É como se já não soubéssemos mais de onde virá o perigo, portanto nos enclausuramos por medo de tudo. Ficamos até com alucinações e manias de perseguição.
Em Mt8,24-26, na barca, em meio a uma tempestade: Aqui há uma grande chamada à reflexão feita pelo próprio Jesus sobre o medo e a nossa fé. Muitas vezes parece tão justificável termos medo e bastante sensato também, que perdemos a dimensão da fé em nossas vidas. Assim, ao invés de avançarmos na oração, na Adoração a Deus e na entrega de nossas vidas somente a Ele, seguimos na direção mais humana e imediata da autodefesa. Mas Jesus nos anuncia mais uma vez o bom caminho em Mt5,38-45: “Tendes ouvido o que foi dito: olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao mal. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra. Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa. Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil. Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te quer pedir emprestado. Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderá odiar o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois Ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos.”
Com esta Palavra percebemos que a porta do céu é estreita. Se quisermos mesmo seguir a Jesus não poderemos caminhar com ferramentas materiais, pois de nós é pedido o extraordinário.
O que vamos percebendo é que quanto mais entendemos e colocamos em prática a Palavra de Deus mais profundamente vamos enxergando a vida. Passaremos a viver e a valorizar cada coisa que nos acontecer sem o habitual apego e, conseqüentemente, sem o medo de perder ou de sofrer. Se não somos os donos de nós mesmos, nem de tudo o que pensamos possuir na vida, como pessoas, coisas e poder, não precisaremos também ter o medo catastrófico de errar ou de perder. Afinal, as coisas não dependem só de nós. Se acreditamos em Deus sabemos que só Ele pode tudo, embora nos comportemos como deuses de nós mesmos. Precisamos acreditar menos em nós mesmos e mais Nele. Deus nos chama, sim, à perfeição e à santidade mas porque Ele nos quer salvos de todo o mal, daquele inclusive que cultivamos dentro de nós. Ele nos quer perfeitos, aperfeiçoados no amor. Entretanto, nós buscamos outro tipo de perfeição por medo de rejeição: não dar motivo aos outros para que falem ou pensem mal de nós.
Precisamos, Senhor, urgentemente crescer como seres humanos e como filhos Teus. Crer de todo o coração nas Tuas promessas e na Tua Palavra. Faze-nos, Senhor, sentir dentro de nós a beleza e a libertação que nos traz a obediência ao Teu primeiro mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas.
Esta busca pelo respeito à vontade de Deus e pela Sua Palavra nos faz mudar de rumo, de contexto... De valores. Amar a Deus mais do que a qualquer coisa neste mundo ou a qualquer pessoa é diferente de tudo o que raciocínio humano pode aceitar. Por isso pedimos ao Espírito Santo a capacitação para entendermos o que não depende de QI, de inteligência, mas de Fé... De confiança em Deus. E neste trecho do Novo Testamento, Jesus, Deus Filho, nos fala desta mesma necessidade:
“Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim. Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por minha causa, reencontrá-la-á.”
Que estranheza e medo sentimos ao ler estas Palavras. Parece que sempre estivemos vivendo em um mundo ego centrado, em um mundo feito para atender aos nossos anseios... Em um mundo irreal! Que susto nos depararmos com palavras tão duras vindas do mesmo Jesus que preferimos lembrar como menino Jesus ou somente como aquele que a tantos curou. Isto tudo é um chamamento para a vida de verdade... Jesus mesmo disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.” Jo 14,6
Um compromisso de vida totalmente adulto e divino: o chamado à santidade. Como nos abrir ao entendimento sobrenatural desta mensagem?! Como amar a Deus que eu não vejo se eu nem consigo amar a meu pai e minha mãe que estão comigo? E mais difícil ainda, como deixar regras culturais, apegos humanos e buscar em primeiro lugar o Reino de Deus? Ou seja, como amar a Deus mais do que a tudo nesta vida? Como largar tudo, por amor a Deus, por causa da nossa confiança Nele, para seguir a Jesus? Como deixarmos tudo para trás para seguir pelo Caminho que Ele abriu para nós com sua própria forma de viver? Doando a Sua própria vida? Como atender a um chamado como este com tanto medo que temos de não sermos compreendidos pelos outros? De sermos julgados? Afinal, não acordaremos todos ao mesmo tempo para este chamado. Sendo assim parecerá um caos, um total desentendimento entre os mais próximos. Parecerão uns contra os outros, pois seremos diferentes daquilo em que já conseguirmos acreditar... De acordo com a disponibilidade que ofertarmos a Deus... Pareceremos estar uns contra os outros por estarmos com um entendimento diferente a respeito das coisas de Deus. E “brigaremos” pelo que acreditarmos. E como temos uma dificuldade monstruosa em aceitar diferenças e em seguir adiante sem termos apoio de quem temos a necessidade de agradar, sofreremos, adiaremos nossa adesão ao chamado de Jesus de tomarmos nossa cruz e segui-Lo. Pois é por isso que Deus nos quer livres... Mas nós nos apegamos a tudo e a todos!
Como sermos livres da opinião alheia e crescermos na fé e no amor? Esta história de amar é mais difícil para o ser humano do que nós imaginamos. Ao invés de buscarmos crescer na capacidade de doar amor queremos mesmo é ser amados. Fazemos de tudo para chamar a atenção para nós mesmos... Fazemos por merecer o amor das pessoas. E assim, ao invés de amarmos o ato de amar acabamos como mendigos de amor. O amor sempre deveria nos libertar e não escravizar, mas como somos muito materialistas queremos ser amados por quem escolhemos ser. A vivência do encontro com Jesus nos faz sentir o poder da cura e da libertação através do Seu amor. Sentir a intensidade e a Luz que há neste amor nos traz o sentimento de agradecimento, de gratidão e a vontade de transbordar através de nós este amor divino para os outros. Não fosse a graça de Deus de encontrarmos Jesus em nossas vidas incorreríamos em sucessivas tentativas aleatórias de sermos felizes apenas correndo atrás de sermos amados da maneira e por quem nós gostaríamos de ser, sem mudar a forma de entender e de viver o amor.
Como pensarmos no ato generoso de amar a Deus se não temos amor suficiente nem para nós mesmos? Se não entendermos que será Deus quem nos capacitará para tudo o que precisarmos fazer não entenderemos também que o que depende de nós é o SIM a vida. Se quisermos caminhar com Ele, Ele caminhará conosco. Se ficarmos presos ao nosso passado, às rejeições e sofrimentos que passamos jamais seremos curados. Sempre nos lembraremos das nossas dores e da “má sorte” que tivemos na vida. Reafirmaremos para nós mesmos que tudo sempre se repetirá conosco. Pensaremos que jamais poderemos amar uma vez que tendo sido rejeitados não conseguiremos amar a alguém. Quando caminharmos para além deste labirinto sem luz perceberemos que o que predominará a partir do encontro com o Amor será a possibilidade de optarmos por amar sempre mais, apesar de nossas fraquezas apesar de nosso egoísmo.
“Outra vez um dos seus discípulos lhe disse: Senhor, deixa-me ir primeiro enterrar meu pai. Jesus, porém, lhe respondeu: Segue-me e deixa que os mortos enterrem seus mortos.” Mt 8,21-22 Esta passagem ilustra como sempre haverá pendências bastante razoáveis para nos fazer adiar ou mesmo desistir de segui-Lo. Deixar todo o contexto familiar, os laços de sangue e até possivelmente os benefícios da primogenitura naquela época era muito do que abrir mão... Além disso, deixar a vida antiga e talvez até morta, por falta de renovação e de compromisso com a Palavra de Deus significa nascer de novo, ou mesmo ser curado de seus pecados para ingressar em uma vida nova.
A totalidade que pediu a Ele para ser curada não o foi. Somente alguns foram curados. Em certos momentos Ele dizia: “Vai, a tua fé te salvou.”, ou então: “Teus pecados estão perdoados”, ou ainda: “Que aconteça segundo a tua fé”. Quando lhe interceptavam e lhe pediam a cura, Jesus os surpreendia perguntando a cada um o que eles queriam. Sermos curados para que? Pedir a cura para os nossos males todos nós pedimos, mas sermos curados e a partir daí servirmos a Deus de todo o coração, como o fez a sogra de Pedro, que após ter sido curada por Jesus de uma febre alta que a mantinha de cama levantou-se e foi servir-lhes a refeição, poucos de nós o fazem. Precisamos entender que nossa vida não é nossa. Não vivemos só para nós mesmos mas para sermos instrumentos de Amor do Pai.
Nada é nosso diferente do que costumamos pensar. Nossa vida não está em nossas mãos. Tudo é do Pai e dado a nós por Graça por Ele para que administremos com liberdade de escolha. Tudo aquilo que costumamos atribuir unicamente ao nosso mérito e esforço pessoais na verdade passa pela vontade e pela graça de Deus. Assim devíamos pensar mais profundamente no contexto amplo do qual fazemos parte. Tudo isso tem que nos fazer enxergar que não vivemos só para as nossas coisinhas... Para aquilo que nos interessa egoisticamente. Fomos criados por um Deus que é amor e com a finalidade de vivermos para este Amor Maior, para experimentarmos este Amor e sermos modificados por ele... Curados... Praticarmos o Amor e dedicarmos a vida para crescer em capacidade de amar no dia a dia... Na prática... No feijão com arroz e não debaixo dos holofotes!
A SOLIDÃO É SEMPRE DOLOROSA E SINAL DE QUE AS COISAS VÃO MAL?
Em Mt 6,6 Jesus diz: “Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á.”
Parece que por falta de maturidade emocional e espiritual queremos platéia pra TUDO! Nascemos sozinhos, morreremos sozinhos e, para aqueles ainda não perceberam, nossa caminhada passa pela interação com as pessoas, mas as decisões finais são de responsabilidade inteiramente nossa... Pessoal e intransferível: o nosso Sim a Deus. Isto não tira a importância e a necessidade do crescimento em comunidade já que ninguém cresce sozinho, isoladamente. Quando sentirmos que Deus nos ama e está conosco, até mesmo quando erramos nada mais será sentido como abandono ou solidão. Se confiarmos em Deus saberemos que Ele é fiel. Saberemos que Ele é o Bom Pastor que nos conduz ainda que andemos pelo vale das sombras da morte nada precisaremos temer. Uma vez que avançamos no entendimento destas coisas não parece fazer mais sentido ficarmos tristes ou enfurecidos pela ausência das pessoas como se não nos conformássemos com a solidão. Muitas vezes somos nós quem as afastamos de nós com nossas ações ou omissões por dificuldade de relacionamento. Enfim, precisamos acordar para o fato sobre o qual nos lembra Madre Tereza de Calcutá: “... Afinal, tudo sempre foi entre Deus e nós”. Mais importante ainda é lembrar que se quisermos seguir a Jesus precisaremos estar libertos de nossas carências e apegos. Se não conseguirmos estar bem sozinhos, e isto em nada tem a ver com auto-suficiência, também não conseguiremos estar bem na companhia dos outros. Até pareceremos estar mas, de fato, não o estaremos. Quantas vezes não ouvimos as pessoas nos dizerem serem bons os momentos em que a vida nos obriga a parar, em casos de doença, por exemplo, para que pensemos melhor na vida... Estes também são momentos de solidão já que a sensação é de termos sido separados de toda a nossa rotina. Muitas vezes não suportamos estes “acidentes de percurso” e queremos fazer de conta de que nada aconteceu e tentamos voltar para as nossas rotinas o mais rápido possível do jeito que elas sempre foram. Não é mesmo fácil sermos interceptados e nos dignarmos a ouvir a nossa consciência que passa a gritar no difícil ato de pararmos... De calarmos. Muitas vezes, mesmo sem percebermos, nos superocupamos ou nos mantemos com gente do lado por medo de encararmos nossos silêncios... O vazio. Precisamos buscar a maravilha de fazer as coisas por escolha e não por falta de. É uma benção estarmos em paz sozinhos e podermos passear por nossas gavetas internas sem nos angustiarmos ou nos desesperarmos. Não merecemos passar a vida inteira fugindo da solidão por medo de enfrentarmos nossos medos habituais e mais antigos. Precisamos vencer o medo de andarmos sozinhos pois às vezes deixamos de dar passos importantes em nossas vidas por medo de perdermos as pessoas. Ficamos com medo de avançar por causa do risco de nos desencontrarmos na vida. Como o medo sempre traz prejuízo e dor quem sofrerá seremos nós, pois não estaremos nos preparando para as etapas seguintes. E quanto a nos descompassarmos uns dos outros isto sempre poderá acontecer, mas não precisará ser visto como um problema. Muitas vezes temos A, B ou C como companheiros de caminhada em um dado momento e logo após poderemos ter outros como nossos amigos e parceiros. Teremos sempre que lembrar que Deus é quem decide tudo e governa nossas vidas, portanto nos proverá companhia e ajuda na medida do que for melhor para o nosso crescimento. Se tivéssemos esta certeza não haveria espaço para nos sentirmos melhores ou piores em função de nossa capacidade de reunir pessoas. Tudo se dará na medida do nosso entendimento e a tranqüilidade e a paz virão pela graça de Deus.
Em Mt 6,24 Jesus quer nos acordar das seduções e apelos do mundo: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza.”
Ou se prioriza as coisas de Deus e se dedica a vida a vivê-las ou se estará indo para o lado oposto: o lado da auto-suficiência e o mergulho no pecado, portanto a experiência de viver na ausência de Deus. E como remédio para este engano humano, Jesus nos diz:“Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e tudo mais vos será acrescentado.” Tudo isso nos remete novamente ao primeiro mandamento de Deus e às palavras de Jesus quanto à necessidade vital de preferirmos mais a Ele a quem quer que seja nesta vida. Confiarmos totalmente no chamado, tomarmos a nossa cruz e o seguirmos sem o medo de termos somente a Ele como o Senhor de nossas vidas... Assim ganharemos a vida ao invés de nos perdermos de Deus e ficarmos como almas penadas a vagar sem sentido por toda a existência.
A falta de sentido para viver pode levar à depressão Muitas pessoas após vivenciarem perdas importantes ou uma mudança inesperada em suas vidas entram em Depressão. Muitas situações podem nos desestabilizar e nos trazer medo, dificuldade ou até mesmo desinteresse pela vida. Por vezes vamos vivendo no modo automático e só saímos dos trilhos quando algo muito chocante nos desperta. Nestes momentos nos encontraremos diante tanto da oportunidade de crescer nas adversidades quando de perdermos o sentido para viver. Por isso dizemos que a fé fará diferença. É claro que no caso da Depressão sempre precisaremos afastar outras causas associadas. Entretanto, sabemos que “tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus”. Assim, a dimensão da fé traz sempre um olhar mais comprometido com a vida e com a vontade de Deus. Faz com que aquele que sofre não pense apenas em se livrar da dor para não mais senti-la, mas busque entender a vida e as dores do mundo através da aceitação da sua própria dor. Isto não quer dizer masoquismo, mas perder o medo de passar pelo sofrimento que tiver que passar para a partir desta vivência entender o que jamais poderia ser entendido sem que se passasse através deste caminho. Sem falar que a origem das doenças psicológicas e até as físicas vem sendo comprovada pela ciência como provenientes de uma desarmonia ou desequilíbrio internos. Mas é claro que a Palavra de Deus nos aponta outra explicação para as doenças e para as situações inexplicáveis para nós:
“Caminhando, viu Jesus um cego de nascença. Os seus discípulos indagaram dele: Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: Nem este pecou nem seus pais, mas é necessário que nele se manifestem as obras de Deus.” João 9,1-3
E Ele nos ajuda nos encorajando sobre o amor de Deus: “Portanto, eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes? Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas? Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam. Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” Mateus 6,25-34
Se buscarmos primeiro os nossos próprios interesses e confiarmos mais na nossa auto-suficiência do que na providência de Deus estaremos apenas sendo as pessoas que nascemos sendo... Carne. Jesus nos afirma: “Nem pensem no dia de amanhã.”. E nós, pela nossa falta de adesão a Ele como nosso Mestre e Senhor, fazemos exatamente o contrário. Buscamos primeiro a nossa segurança, baseados naquilo que achamos que podemos nós mesmos resolver e prover e depois, sim, até praticamos nossa espiritualidade através da oração, da leitura da Palavra ou da presença na Eucaristia. Nossa espiritualidade só crescerá na medida em que entregarmos a Deus o leme da nossa vida...
Afinal, SÓ DEUS É DEUS. NÓS NÃO O SOMOS.
Mas se continuarmos a servir ao Deus do medo não teremos coragem, ou melhor, FÉ, para desistirmos do caminho da auto-suficiência para nos entregarmos totalmente a Deus. Mas, se ao contrário o conseguirmos, com a graça de Deus, diferente do que pareceria nos tornaremos verdadeiramente LIVRES. Ao invés de todo poderosos seremos simples, seremos discípulos... Servos do Mestre Jesus. Mc10,43-45 “Entre vós, porém, não será assim: todo o que quiser tornar-se grande entre vós, seja o vosso servo; Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos."
É que “a vida oferece tantas coisas que às vezes é tão fácil a gente se apegar. Mas tudo tem um começo e um fim. Tudo passa, tudo passará.” Passamos a vida fixados à sua realidade material e por vezes até negamos a sua dimensão espiritual. Jesus nos alerta de que “O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito.” João 3,6. E explica que precisaremos nascer de novo para podermos ver o Reino de Deus. Precisaremos usar o livre arbítrio que Deus nos concedeu para escolhê-lo por vontade própria:
Jesus nos diz para sermos simples... Mas não conseguimos preferir a riqueza e a beleza de sermos simples. Queremos tanto ganhar a vida... E Jesus nos alerta uma vez mais dizendo que dependendo do modo como o fizermos ao invés de ganharmos a vida iremos perdê-la... Desperdiçar toda uma existência... Perder a alma! E acrescenta: “De que adianta o homem ganhar o mundo se vier a perder sua alma?” Mt16,26
Sabemos que os alertas de Deus Pai e de Jesus são sempre para a nossa ascensão espiritual, para que comunguemos das coisas do céu. Assim, se por amor a Jesus e a tudo que Ele nos mostrou através da sua própria vida por causa de seu amor a Deus e a nós viermos a perder nossa vida será assim então que a ganharemos. Jesus nos diz: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças.” Marcos 12,30
“Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim. Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim.”
Assim, Cristo espera o nosso comprometimento com as coisas do Reino de Deus. Precisamos ao invés de reclamarmos da vida e esperarmos como crianças imaturas pegar a nossa cruz para segui-Lo. Ele conta conosco para o trabalho de todo o coração e sem esperar recompensas. A messe é grande e os operários são poucos. Sempre teremos muitos empecilhos, dentro e fora a nos deter.
O problema da recompensa é ficarmos presos ao resultado Não podemos nos apegar a nada pois precisamos cada vez mais ser libertos de tudo o que nos aprisiona e seduz, para alcançarmos a beleza e a leveza do amor... Do servir... Do doar-se por inteiro... De darmos a vida por inteiro por amor a Deus. Assim Jesus intercederá por nós ao Pai, já que também nós teremos tido a livre escolha de testemunhá-lo em nossas vidas. Mas, como nos lembra São Paulo, só terá valor se tiver sido por amor... Nós nos sentimos assustados também com esta mensagem no momento em que parecemos estar falando de um outro Jesus,quando Ele afirma que não veio trazer a paz, mas a espada e a divisão entre os mais próximos e queridos. Sem aceitarmos o convite a uma vida nova tudo parecerá apenas perdas e danos. Jamais entenderemos que Deus quererá uma revolução dentro e fora de nós para chegarmos à Verdade - a Verdade que nos libertará. Precisaremos sair de nossas acomodações convenientes e confortáveis e da proteção de nossas verdades absolutas para sermos curados de nossa cegueira, surdez, paralisia e mudez. Deus nos pede clareza e autenticidade em nossos relacionamentos. Ele não gosta de quem o louva com palavras mas mantém distante Dele seu coração, diz Jesus em Mt 15, 7-8. “Hipócritas! É bem de vós que fala o profeta Isaías: Este povo somente me honra com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim.”
Portanto, Jesus deverá estar permeando nossas relações afetivas com as pessoas. Não deve ser um amor protocolar, tão somente com manda a lei, mas um amor que entende e vive o primeiro mandamento e também o segundo: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.”. “Que Deus tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza a vida eterna... Amém.” Que Deus derrame sobre nós o Seu Espírito Santo para nos dar luz e discernimento; o gosto e a sede pela Sua Palavra, pela Sua vontade, para entendermos cada vez mais e melhor a aplicação prática e constante destes dois mandamentos em nossas vidas... Amém.
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