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"Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu fora. Estavas comigo e não eu contigo. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz."
Santo Agostinho , Confissões
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Este texto de Santo Agostinho é um dos pontos altos de suas Confissões e retrata a sua conversão. O texto deixa claro os dois momentos da vida do autor, separados pela descoberta e pela irresistível decisão pelo Amor de Deus. "Tarde te amei" expressa a percepção de Santo Agostinho que sua conversão poderia ter acontecido antes. Que Deus sempre esteve com ele e que ele é que buscava, erradamente, outros caminhos. A partir do momento em que Agostinho "sente o perfume de Deus", não mais consegue ficar longe, e a partir de então passa a ter fome e sede Dele. Tal qual o filho pródigo que volta à paz da casa do Pai. Emociona-nos particularmente, a percepção do "encontro", ou seja, a certeza maravilhosa de ter encontrado o sentido para a vida, e experimentado o descanso oferecido pela paz do Pai. Assim é conosco que, errantes, vamos à busca do mundo, e nessa busca conseguimos alguns prazeres e euforia fugazes, mas é marcada principalmente pelo vazio, decepção, cansaço e falta de sentido. O "encontro" com Deus é particular para cada um de nós, e acontece em momentos diferentes de nossa vida, mas é caracterizado por um novo sentido de viver, de um amor que arde sem doer e de uma paz infinita. Nossa conversão reflete uma nova vida, um renascimento, o "homem novo" que nasce do espírito, que se liberta da escravidão, conduzido pelo Amor infinito de Deus. A partir desse momento, jamais seremos os mesmos. "Senhor , seduziste-me e deixei-me seduzir."
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